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Tag: otto

Melhores de 2012: 10 músicas nacionais

01) Tulipa Ruiz e Lulu Santos – “Dois Cafés”

02) Céu – “Chegar em Mim”

03) Jair Naves – “Pronto Para Morrer (O Poder de Uma Mentira Dita Mil Vezes)”

04) Violins – “Cê Tá afim?”

05) BNegão & Os Seletores de Frequência – “Alteração (ÉA!)”

06) Saulo Duarte e a Unidade – “Nada Pra Depois”

07) Curumin – “Passarinho”

08) Luiz Gadelha – “Venha Aqui”

09) Otto – “Ela falava”

10) Rodrigo Campos – “Princesa do Mar”

 

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O álbum “The moon 1111” do Otto

Otto prometeu que lançaria o disco The moon 1111 no dia… 11/11/11, mas nada ocorreu. Tudo bem, rolava um papo de fim de mundo e até agora nada também. Coisas da vida moderna.

Mas ao que tudo indica, o álbum do Otto realmente está para sair. Ainda não se sabe quando (Será que fica para depois do carnaval de 2012?).

O vídeo a seguir instiga um pouco sobre o próximo trabalho dele, que deve apresentar uma mistura de Fela Kuti com Pink Floyd. Além de propor um resgate da sonoridade do Manguebeat, segundo o próprio artista. No vídeo, nota-se que Otto está muito bem acompanhado musicalmente, como de costume.

O vídeo está no perfil da Camila Valença no Vimeo. E lá também tem um teaser sobre The moon 1111.

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Otto no Conexão Vivo Belo Horizonte

Depois do intervalo de alguns minutos desde o show anterior na mesma noite, do Cidadão Instigado, uma figura grande e desajeitada começa a caminhar entre os instrumentos em cima do palco, com as luzes ainda apagadas. É ele: Otto, que anda e corre de um lado para o outro enquanto os músicos de sua Jambro Band posicionam-se em seus lugares.

As luzes ascendem e a introdução de “Filha” ecoa pelo Grande Teatro do Palácio das Artes lotado. Nesta primeira música, Otto já pula e dança com aquele jeito estranho que lhe é peculiar. E a interpretação dele na música fica ainda mais pesada e intensa durante os versos “Aqui é festa amor / E há tristeza em minha vida”. Otto parece participar de uma constante sessão de descarrego de seus demônios desde o lançamento do álbum Certa manhã acordei de sonhos intranquilos, em 2009. E o local escolhido é sempre o palco, aquele lugar sagrado.

Neste show, Otto estava bem melhor do que quando se apresentou no Lapa Multshow no ano passado, em Belo Horizonte. E já na segunda música da noite, “Janaína”, o músico chama o público para se levantar das cadeiras do Grande Teatro e participar da apresentação. Muitos já estavam em pé pelos corredores laterais do local. E após o chamado do pai Otto, o público em massa fica de pé em seus lugares e o músico quebra a barreira imaginária que existe entre público e artista quando desce do palco, caminha e canta em meio às cadeiras do local (dando trabalho aos iluminadores para localizá-lo em meio à plateia).

O repertório do show não fica preso ao último disco lançado (Certa manhã acordei de sonhos intranquilos), mas caminha por toda a discografia de Otto, reforçando que ele já tem uma história e público para se sustentar. Público que acompanha tanto as canções mais recentes, como “Saudade”, “Naquela mesa” e “Crua”, talvez a mais popular de seu repertório, por ter feito parte de trilha sonora em novela global (além das já citadas “Filha” e “Janaína”); quanto as mais antigas, como “Dias de janeiro”, “Condom black (stop play)”, “TV a cabo”, “Ciranda de maluco”, “O celular de Naná” e “Renault/Peugeot”. Hits particulares que fazem parte do repertório do show.

Além de caminhar entre as pessoas, outra forma de interação de Otto com o público são as suas já conhecidas conversas entre uma música e outra, com aquele seu jeito nonsense natural de ser. Frases desconexas, piadas internas e risadas entre os músicos da banda dão um toque especial ao show. O momento alto durante a apresentação nesse quesito talvez tenha sido a frase “o teatro é um centro belo”, agradecendo e refletindo a felicidade de tocar naquele palco de Belo Horizonte. Além de constantemente chamar o evento de “Conexões Vivo”.

Dentro do esquema de participações de artistas durante os shows da programação do Conexão Vivo, Otto convidou o rapper mineiro Renegado para cantar “Cuba” (canção que originalmente conta com o vocalista Chorão, do Charlie Brown Jr.) e mandar trechos de suas músicas. A participação, ou “conexão” entre os dois, indicou que faltou alguma coisa. Mesmo com toda a receptividade de Otto em relação ao rapper, a impressão que se teve é que faltou de fato uma conexão musical mais íntima, mais intrínseca entre os dois artistas. Em alguns instantes até a banda de Otto parecia meio perdida naquele momento. Talvez tenha faltado ensaio, talvez afinidade artística. Algo que realmente agregasse valor estético e musical à proposta do evento. A participação de Fernando Catatau (vocalista/guitarrista do Cidadão Instigado e guitarrista de Otto) no show do Renegado durante o Conexão Vivo de 2010 foi mais positiva neste sentido, por exemplo.

Após a participação do rapper, Otto mandou “Pra ser só minha mulher”, clássico brega de Erasmo Carlos e Ronnie Von, eternizado na voz de Roberto Carlos. E o show ainda seguiu por “O celular de Naná” e “Low” até chegar em uma versão emocionante de “Seis minutos”, música em que ele mais se entrega durante a apresentação e parece ser o auge de sua sessão de descarrego particular. Seus demônios e lágrimas do passado devem sair junto com o suor que escorre pelo seu corpo naquele momento. Otto acrescenta o nome de sua filha Bettina nos versos da canção, gritando “E você me falou de uma casa pequena / com uma varanda, chamando a Bettina pra jantar”. Isso diz muito sobre a música e sobre sua entrega durante aqueles poucos mais de seis minutos em que pode desabafar sobre sua vida por meio de sua arte.

Antes de encerrar a apresentação, Otto mandou “Homenagem à Olinda, Recife e Pai Edu”, de Clara Nunes, “Naquela mesa” e “Renault/Peugeot”, bem mais orgânica que a versão em disco, para fechar uma bela noite que teve todos os artifícios de um típico show do músico. Sem parecer repetitivo, Otto segue construindo uma carreira que provavelmente cresce a cada disco lançado. Além de ter sua música cada vez mais acessível sem perder suas raízes.

Fotos: divulgação.

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Certa manhã acordei de um show instigante

Domingo. 10h da manhã. Uma latinha de cerveja barata ainda repousa ao lado do computador. Do outro lado, minha eterna garrafa de água mineral abastecida com água do filtro. Depois de dormir algumas horas e acordar ainda com imagens do pernambucano Otto na memória, em decorrência do show na noite de ontem, em Belo Horizonte, a impressão que fica é de que o músico não estava tão a vontade em cima do palco. Um sujeito aparentemente retraído, algumas vezes mostrando um “rebolado pensado” para agradar o público e outras vezes transformando o Lapa Multshow em um verdadeiro terreiro de umbanda, levando algumas pessoas a transcenderem o local levadas pela música. E outras pessoas levadas pela onda de “Street Cannabis Street”. Não a música, você entende.

As expectativas exageradas com a apresentação foram, principalmente, por causa do disco “Certa Manhã Acordei De Sonhos Intranquilos”, um dos melhores lançamentos de 2009 no Brasil. Otto não estava em seu melhor dia, talvez por causa de uma febre que ele até comentou durante o show. Talvez tenha faltado mais emoção ao interpretar/encarnar canções que são, em essência, retratos do ser humano com suas dores, perdas, angústias e até felicidade. Ou talvez fosse mais exagero da minha parte a grande expectativa em torno do show. Talvez por causa da identificação imediata com as canções mais existenciais de Otto. Percebeu que “talvez” é a palavra de ordem, né?

O jeito torto e desajeitado do músico em cima do palco e as danças peculiares se transformam em um atrativo à parte, mas que contribuem para o todo. Ao lado da música, da dança, de alguns comentários desconexos por parte do músico e do cheiro doce que pairava no ar, Otto demonstrou que é um sujeito que não tem medo de se expor. Não tem medo de ser ele. Não tem medo de cuspir suas fraquezas, suas dores. Otto é um ser humano que tem problemas e não tem vergonha de admitir isso. E ele também tem, possivelmente, a melhor banda de apoio que um artista possa querer. Nomes como Fernando Catatau e a tríade Bactéria, Boca e Pupillo falam por si só.

Talvez o ponto mais instigante da noite tenha sido o fato do show não pegar como muleta apenas o álbum “Certa Manhã Acordei De Sonhos Intranquilos”, disco que deu mais visibilidade ao cantor. Otto destilou músicas de toda sua discografia e o público acompanhou e cantou com a mesma empolgação. Independente se fosse uma canção que faz parte de novela global (“Crua”) ou do seu primeiro disco, Samba Pra Burro (como a música “O Celular de Naná”, por exemplo). Ainda estiveram lá “Janaína”, “Condom Black (Stop Play)”, “Saudade”, “Naquela Mesa”, “Ciranda de Maluco”, “Lavanda” e a dispensa comentários “Seis Minutos” para demonstrar que Otto tem uma história e que esta não é descartável como a maioria das “coisas” que aparecem por aí a cada virada no relógio.

Final de show, uma noite estupenda de fria em Belo Horizonte e cerveja barata para aquecer a madrugada que é, essencialmente, o melhor horário para aproveitar a cidade. Para o bem ou para o mal. Seja embalado por canções existenciais ou não. Seja perdido pelas ruas ou então apagado em cima da cama vivendo sonhos intranquilos.

Foto: divulgação

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