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Tag: música brasileira

A música brasileira em 2011 (ou 50 discos nacionais para download)

A música brasileira está cada vez melhor. Sou daqueles que acreditam que estamos vivendo o momento mais rico da nossa história musical. Nossa música nunca esteve tão interessante, instigante, descentralizada. Isso sem contar sua diversidade. Não é inteligente comparar o atual momento com outros do passado. Os contextos cultural, político e tecnológico são diferentes. As pessoas são outras. E pessoas são influenciadas pelo meio em que estão inseridas. E desse modo influenciam o próprio meio. É um ciclo. Assim segue a roda da história.

Fato é que agora há, realmente, uma liberdade ilimitada para nossos artistas. Os que querem viver de música, vão aos trancos e barrancos (e muito suor na fuça) tentando fechar suas contas no final do mês. Os que querem apenas fazer e disponibilizar música na internet, trabalham para isso. Um ano acaba, mudamos a folha do calendário e brincamos de eleger os “melhores” do ano anterior. Mas a verdade é que todos devem ser respeitados. Independente do gosto de cada um ou da posição em alguma lista. Algumas bandas e artistas, nós apenas não gostamos. E não é por isso que seus trabalhos devem ser desrespeitados. Mesmo que em alguns casos ainda não estejam totalmente lapidados.

Se um artista gosta e sente orgulho do trabalho que faz, que continue, oras. Se ele acredita naquilo que produz, manda bala. Mas esperar que todos gostem e elogiem é outra história. As pessoas têm gostos diferentes, vontades distintas, prioridades diversas. E isso é bonito que só. Mesmo. Os gostos, vontades e opiniões alheias devem ser respeitados. Todo mundo tem seu telhado de vidro. Ainda mais em tempos de redes sociais onde todos sentem necessidade de opinar, julgar e crucificar aquilo que é diferente. Aquilo que é diferente do que não gostamos e acreditamos. Com exceção de alguns pilantras, que são fáceis de serem identificados, os artistas que não gostamos devem ser respeitados. Eles também estão escrevendo a história.

E em relação ao ato de escrever nossa história, 2011 foi um ano com boas páginas escritas. O Los Porongas lançou um belo álbum, O segundo depois do silêncio, em que confirma Diogo Soares como um dos melhores letristas dessa geração. Pélico finalmente ganhou a atenção merecida com Que isso fique entre nós, já que seu disco anterior (O último dia de um homem sem juízo, de 2008) parece não ter sido descoberto na época de seu lançamento. E é tão bonito quanto o álbum mais recente. Wado segue fazendo música popular (com Samba 808) e não tocando para as massas, o que é triste. Triste também foi o fim da Superguidis, uma das bandas mais incríveis (e com uma das discografias mais consistentes) que já passaram pelo Brasil. E eles deixaram o EPílogo na tentativa de amenizar a dor da despedida. Apenas uma tentativa.

Fabio Góes voltou ao centro das atenções com O destino vestido de noiva e provando por A+B que é possível fazer música pop de altíssima qualidade cantando em português com produção mais do que caprichada no Brasil. Criolo talvez seja dono do disco mais emblemático de 2011. Tanto pela sua própria qualidade artística quanto pelas discussões ao seu redor sobre ser hype ou não ser. Eis a questão. Nó na orelha de fato não é um disco de rap. É um disco de música. Música nem tão genial quanto o que foi ventilado por aí, é verdade. Mas um disco de música de qualidade. E isso é o que importa. Falando em hype, A Banda Mais Bonita da Cidade não fez barulho com seu disco homônimo, como ocorreu com o clipe pessoas-felizes-venham-me-abraçar de “Oração”.

E falando em fenômeno, Cícero é o artista que provavelmente deve levar 2012 no bolso. Dada a repercussão de seu álbum Canções de apartamento entre pessoas que já se tornaram fãs fanáticos. Algo como os que idolatram Los Hermanos até a última ponta. O jovem Silva também foi bastante comentado com seu Silva EP, que parece ser mais efêmero que o disco do Cícero. Embora sejam trabalhos completamente distintos. Romulo Fróes, o inquieto Romulo Fróes, tirou mais um bom álbum da manga. Não à altura de seu trabalho anterior (No chão sem o chão, de 2009), mas um disco que demonstra ser claramente aquilo que ele acredita. E isso não é pouco.

Kassin foi caminhando devagar em seu posto de produtor e se tornou um dos maiores nomes da nova música brasileira nesse início dos anos 2000. Seu primeiro álbum solo, Sonhando devagar, tem as letras mais nonsenses de 2011 e a sonoridade mais instigante. Além da música “Calça de ginástica”, desde já um dos clássicos da década. Um trabalho para se prestar atenção ainda em 2016. Momo lançou um triste e belíssimo disco, Serenade of a sailor, com muita música em inglês talvez mirando o mercado internacional. Potencial para isso, ele tem. Independente do idioma. Bonifrate foi a mais grata surpresa do ano com seu Um futuro inteiro: psicodelia brasileira de qualidade sem soar datado em pleno 2011. Jair Navez não lançou disco, mas um single (Um passo por vez) com duas músicas que seguem o caminho que lhe garante o carimbo de um dos compositores mais sinceros e viscerais que há muito tempo não ouvimos no Brasil. Karina Buhr segue com a banda dos sonhos de muito artista do mundo e lançou Longe de onde apostando em uma linha diferente do primeiro álbum (Eu menti pra você, de 2010). O que prova que, como nos palcos, ela é uma artista inquieta.

A música instrumental made in Brazil segue de vento em polpa: Bixiga70 dando orgulho a Fela Kuti em seu álbum homônimo. 4 Instrumental com um pé no rock progressivo aqui e ali em 4.1. Macaco Bong com um EP (Verdão e verdinho) nem tão inspirado quanto o disco de estreia. Mas ainda assim interessante. Aeromoças e Tenistas Russas e seu festeiro álbum Kadmirra. Isso sem contar o Vendo 147 pisando fundo em Godofredo e o Constantina com Haveno, um trabalho acima da média. O MarginalS entregou um disco único. O grupo registrou uma jam que não será reproduzida ao vivo. Isso pelo simples motivo de que todos os shows da banda são únicos, levados na base do improviso, de acordo com o momento. E o álbum, batizado (ou não batizado) como (disco sem nome), é uma boa síntese disso.

O rap também segue bem (possivelmente em seu melhor ano): Emicida com o EP Doozicabraba e a revolução silenciosa que só afirma sua qualidade e seu refinamento pop. Pop também mirado por Flávio Renegado em Minha tribo é o mundo. E, na mesma área, o Julgamento veio com seu segundo trabalho, o EP Muito além, que deixa mais claro o potencial que a banda tem para além das montanhas de Belo Horizonte.

Mesmo com um disco de releituras, por assim dizer, o Apanhador Só fez um trabalho interessante em Acústico-Sucateiro, gravado com sucatas e instrumentos musicais básicos. Tom Zé deve ter ficado orgulhoso do grupo. O Nevilton finalmente entregou seu álbum De verdade com canções jovens, pegajosas e até intensas. E intensidade é a palavra que sintetiza Peixe homem, do Madame Saatan, banda que faz música com peso, sem excessos e o principal: sem cair no virtuosismo chato de algumas bandas do gênero. Peso que pode ser percebido também com o primeiro disco cheio do The Baggios. Seus dois integrantes pegaram Raul Seixas, Zefirina Bomba, White Stripes, punk rock e bateram tudo em um liquidificador com uma empolgação adolescente. E acertaram a mão naquilo que se propõem a fazer. O liquidificador também foi utilizado pelo Graveola e o Lixo Polifônico para confeccionar Eu preciso de um liquidificador, álbum de sonoridade ímpar em 2011.

O Pública entregou seu álbum mais bem produzido, Canções de guerra, mas sem uma grande canção pegajosa. Como já está na história do grupo: “Long plays”, de Polaris (2006) e “1996”, de Como num filme sem um fim (2009). O Violins lançou Direito de ser nada, seu disco com sonoridade mais pop e ao mesmo tempo mais irregular se comparado com a própria discografia da banda, que tem no currículo pérolas como Aurora prisma (2003), Grandes infiéis (2005), Tribunal surdo (2007) e A redenção dos corpos (2008). Beto Só fez seu álbum mais introspectivo e confessional: Ferro-velho de boas intenções, cujo nome é algo a se pensar antes que a vida termine. E a letra de “Boas intenções” causa reflexão: “Por não querer nunca errar / meus planos todos adiei / […] / pior é que não há / do que me desculpar / só sou um ferro-velho / de boas intenções ”. E isso diz muito sobre os primeiros parágrafos desse texto.

Música é alimento. Ou pelo menos assim deveria ser com todo mundo. Mas cada um tem seu nível de envolvimento com música, que pode mudar vidas, acabar com algumas e fazer nascer tantas outras. Esse texto é apenas uma tentativa de organizar ideias desconexas sobre o ano que passou em relação à nossa música. Música que tenho tanto gosto em ouvir, pesquisar, indicar. A seguir estão 50 discos lançados em 2011 e disponibilizados para download gratuito pelos próprios artistas. Muita coisa ficou de fora, pois se eu fosse juntar tudo, esse texto não sairia antes do ano que vem. Atente-se para a diversidade e qualidade que temos em nosso quintal. E como eu escrevi lá no início: a música brasileira está cada vez melhor.

Busque o novo.

(Clique nos nomes para baixar os discos)

4 Instrumental – 4.1

A Banda Mais Bonita da Cidade – A banda mais bonita da cidade

Academia da Berlinda – Olindance

Aeromoças e Tenistas Russas – Kadmirra

Apanhador Só – Acústico-sucateiro

Belo Horizonte – Uma trilha sonora possível

Beto Só – Ferro-velho de boas intenções

Bixiga70 – Bixiga70

Bonifrate – Um futuro inteiro

Câmera – Invisible houses

China – Moto contínuo

Cícero – Canções de apartamento

Cinco Rios – Todas as janelas do dia

Constantina – Haveno

Criolo – Nó na orelha

Driving Music – Comic sans

Eddie – Veraneio

Emicida – Doozicabraba e a revolução silenciosa

Falcatrua – Urbano

Flávio Renegado – Minha tribo é o mundo

Graveola e o Lixo Polifônico – Eu preciso de um liquidificador

Gui Amabis – Memórias luso/africanas

Harmada – Música vulgar para corações surdos

Humanish – Humanish

Julgamento – Muito além

Junio Barreto – Setembro

Karina Buhr – Longe de onde

Kiko Dinucci, Juçara Marçal, Thiago França – Metá Metá

Lirinha – Lira

Los Porongas – O segundo depois do silêncio

Ludov – Minha economia EP

Macaco Bong – Verdão e verdinho

Madame Saatan – Homem peixe

MarginalS – (disco sem nome)

Mordida – Mordida

Nevilton – De verdade

Nuda – AMARÉNENHUMA

Paralaxe – Deus ex machina ou o terceiro segredo

Pélico – Que isso fique entre nós

Pública – Canções de guerra

Quarto Negro – Desconocidos

Rafael Castro – Rafael Castro canta Roberto Carlos

Romulo Fróes – Um labirinto em cada pé

Silva – Silva EP

stella-viva – Deus não tem aviões

Superguidis – EPílogo

The Baggios – The Baggios

Vendo 147 – Godofredo

Violins – Direito de ser nada

Wado – Samba 808

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Leia também: 2010 acabou. Mas a música não

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Melhores de 2011: 10 discos de Belo Horizonte (mais um bônus)

A ideia era que essa lista aparecesse por aqui no aniversário de 114 anos de Belo Horizonte (12 de dezembro), fazendo um apanhando do que ocorreu na música da capital mineira durante 2011 ao mesmo tempo em que mostrasse sua diversidade de estilos, intenções, etc. Mas não deu tempo (ou preguiça de correr com as coisas). O fato é que 2011 foi interessante para a música em Belo Horizonte. Boas bandas da cidade lançaram novos (e consistentes) trabalhos. E com uma qualidade de produção respeitável. A lista abaixo diz respeito apenas aos discos que eu ouvi, obviamente. Muita coisa passou em branco e algumas outras eu ouvi e não tive interesse algum em continuar ouvindo. Faz parte da vida.

Acredito que o mais interessante entre esses destaques é a diversidade de estilos: pop, rap, indie, experimental, música inclassificável. Qualidade artística tem de sobra. E para todos os gostos. O que não vale é ficar passivo esperando uma boa banda cair nos ouvidos sem mais nem menos. No final de cada texto sobre os álbuns, tem link para conhecer mais o trabalho de cada artista. De nada.

Unindo bossa nova, Clube da Esquina, folk, arranjos de altíssima qualidade, melodias doces e letras autênticas, o primeiro trabalho do Transmissor, Sociedade do crivo mútuo (2009), já sinalizava que a banda merecia uma atenção mais cuidadosa. Corta para 2011 e essa constatação ganha ainda mais força com Nacional, o novo álbum do grupo. Agora a banda parece mais unida musicalmente em canções redondas, diretas e sem excessos. Nacional soa como um trabalho sincero, simples e sem pretensão de ser grandioso. Mas que, justamente por isso, se torna especial. O Transmissor não dá um passo maior do que a perna pode suportar. E talvez o grande segredo de alguns artistas é saber o seu tamanho e capacidade artística/criativa. E, a partir disso, trabalhar para que o resultado seja o mais completo e sincero possível dentro daquilo que são capazes.

Dadas as devidas proporções, o Transmissor parece estar em um degrau musical próximo ao Skank da fase Maquinarama (2000) para cá, emulando uma sonoridade de décadas passadas sem se perder e sem esquecer de sua história e identidade. Instrumental preciso e cristalino com melodias e letras fáceis sem serem banais resulta em uma banda pop de alta qualidade. Sim, porque o Skank é um grupo pop por excelência que, além do lado comercial (o que é demérito para alguns, infelizmente), tem também um lado artístico que deve ser bastante respeitado. E o Transmissor parece seguir um caminho parecido. Uma banda pronta.

Top 3: “Só se for domingo”, “Vazio” e “Dois dias”.
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Cinco anos separam o primeiro disco do grupo (o belo Ecos da cidade, de 2006) deste novo trabalho. Período mais do que suficiente para muito artista ser esquecido ou se esquecer pelo caminho. Não foi o que ocorreu com o Cinco Rios em Todas as janelas do dia, álbum que transpira lirismo e sinceridade. A pegada urbana da banda continua afiada em canções que funcionam como pequenas fotografias de uma metrópole, em que os elementos que saltam aos olhos (ou ouvidos) são os detalhes. Como se o álbum fosse um edifício em que suas janelas (as músicas) guardam pequenos universos. E lá dentro tudo é possível. Todas as janelas do dia tem produção caprichada e soa orgânico, humano. Nada parece exagerado e/ou “robotizado”. Resultado do processo de gravação em fita de rolo. Ecos de pós-punk, Radiohead, O Último Número e noites em claro olhando o mundo pela janela em selvas de concreto. Além de tudo, o CD tem um trabalho gráfico de encher os olhos.

Top 3: “Manhã veloz”, “Saga” e “Volta pra casa”.
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Liberdade pode ser a palavra que sintetiza o que é o Graveola, grupo que parece firmar sua identidade com Eu preciso de um liquidificador. No primeiro álbum (homônimo, de 2009), eles não me soavam interessantes. Parecia uma música típica de estudantes universitários militantes de esquerda com sandálias nos pés que lotavam os shows em Belo Horizonte por conta da carência dos fãs de Los Hermanos. Por causa disso, não dei muita atenção ao segundo trabalho do grupo (Um e meio, de 2010). Ainda assim, era possível perceber a tal fagulha de liberdade criativa da banda. E agora eles entregam Eu preciso de um liquidificador, bem mais encorpado, com momentos que lembram a Vanguarda Paulista de Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé. Além da autenticidade d’Os Mutantes. Referências em que a palavra de ordem é justamente liberdade.

Top 3: “Blues via satélite”, “Pra parar de vez” e “Lindo toque”.
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A gangue Julgamento (três vocais, dois DJs, guitarra, baixo e bateria) tem um trabalho bem peculiar dentro do gênero hip hop, em que o formato de banda garante ao grupo uma mobilidade dentro de sua proposta. E garante principalmente um peso instrumental que, em alguns casos, combina perfeitamente com as letras despejadas pelos três MCs, como as músicas “Muito além” e “O poder da palavra”, por exemplo. As letras não fogem dos temas do hip hop, tratando de assuntos sociais/humanos já característicos ao gênero, mas são trabalhadas de maneira mais livre e não tão “quadrada” e rígida como em outros grupos. Destaque para a faixa “E como diz”, que é essencialmente uma canção pop. E esse formato de canção das faixas de Muito além garante ainda mais destaque ao conjunto da obra. Depois de um álbum cheio (No foco do caos, de 2008) que ainda não registrava o que o Julgamento é em cima do palco, este EP Muito além consegue fazer o trabalho de mostrar a cara do grupo ao vivo e vem carregado com o peso dos shows, um dos grandes triunfos da banda.

Top 3: “Muito além”, “E como diz” e “O poder da palavra”.
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O Câmera bebe na mesma fonte da saudosa banda Valv, também de Belo Horizonte. Com sonoridade do que se convencionou chamar de indie rock (e cantando em inglês), o grupo lançou o EP Invisible Houses com seis músicas que caminham esbarrando nos ombros de bandas indie da década passada em sonoridade melancólica, relaxante e até soturna. Bom para ouvir em dias de chuva.

Top 3: “Time will”, “Isles” e “By surprise”.
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Haveno é o quarto álbum da banda Constantina e pode ser classificado (se é que isso é possível) como uma grande viagem a céu aberto. Como um road movie em que a única coisa que importa é a sensação de liberdade enquanto o vento bate no rosto. O grupo, que tem os pés no post-rock, caminha por pitadas de lisergia musical neste trabalho em meio a texturas e intervenções diversas. Principalmente por causa do número de seus integrantes. Sete pessoas com referências e pretensões distintas que conseguem um resultado harmonioso em Haveno, palavra em Esperanto que significa porto. E é isso: o Constantina está em seu porto, um lugar seguro em que pode, ao mesmo tempo, experimentar suas influências e começar uma nova viagem.

Top 3: “Bagagem extra”, “Benjamin Guimarães” e “Azul marinho”.
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Deus ex machina ou o terceiro segredo é o terceiro trabalho da Paralaxe. E é provavelmente o álbum que poucas pessoas sabem da existência. A banda disponibilizou o disco na internet sem alarde algum. Dentro do universo particular do grupo, os temas das letras (o principal destaque da Paralaxe) estão entre cosmos, história, pop e cenas urbanas em canções mais orgânicas que nos álbuns anteriores, Paralaxe (2005) e o clássico desconhecido Under pop pulp fiction (2007). Apesar da sonoridade mais orgânica por causa dos instrumentos, boa parte das canções de Deus ex machina tem cara de música para festa e devem funcionar bem ao vivo.

Top 3: “Caim”, “Anjo de Portugal” e “Beri beri”.
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Renegado acrescentou o Flávio em seu nome artístico e afirmou sua vontade de ser pop, de fazer música pop com Minha tribo é o mundo. O primeiro álbum do rapper, Do Oiapoque a Nova York (2008), já demonstrava essa intenção, mas agora a produção está ainda mais redonda (produção que ficou por conta de Plínio Profeta (O Rappa, Lenine, Tiê, etc.)). Minha tribo é o mundo é um nome que sintetiza perfeitamente a sonoridade do disco, que vai de batidas do hip hop norte-americano ao samba e música eletrônica, com letras que seguem dentro do gênero hip hop, de polaróides urbanas e até amor. Tudo isso em uma embalagem que lembra o samba-rap de Marcelo D2 e a sonoridade ultraglobal de Matisyahu em alguns momentos. Um artista sem medo de ser pop (e popular).

Top 3: “Minha tribo é o mundo”, “Pontos cardeais” e “Suave”.
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Capitaneado por João Eduardo, guitarrista da banda Cinco Rios, o projeto Belo Horizonte – Uma trilha sonora possível é justamente o que o nome já entrega: uma provável trilha sonora para a capital mineira. Como se o nascimento da trilha ocorresse antes do filme propriamente dito. Ou ainda como se fosse a trilha para a própria cidade, literalmente. Experimente andar pelas ruas com o disco nos fones de ouvido. As madrugadas são particularmente interessantes para isso. Lançado sob uma licença Creative Commons, o disco contém 12 faixas com diversas parcerias, mas talvez a mais emblemática seja a canção “Cinco da tarde”, escrita por César Gilcevi (baterista e letrista da saudosa banda Carolina Diz) e cantada por Gato Jair (ex-vocalista do extinto grupo O Último Número). Gilcevi ainda é um dos melhores cronistas do mundo urbano de Belo Horizonte e O Último Número influenciou boas bandas da cidade, inclusive a Cinco Rios e a própria Carolina Diz. Belo Horizonte – Uma trilha sonora possível é um disco para ser apreciado sem correria, na mesma dose que algumas noites da cidade exigem: com calma, atenção e o desprendimento certo.

Top 3: “Cinco da tarde”, “Música triste” e “Trânsito (alt song)”.
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O Falcatrua envelheceu. Essa é a primeira constatação a se fazer sobre a banda no novo álbum, Urbano. E este envelhecer não é algo como uma banda de tiozinhos chatos. Mas algo como uma maturidade musical. E a parte mais perceptível fica em relação às letras (quase todas assinadas pelo vocalista André Miglio sozinho), que agora estão mais… adultas. O lado mais circense da banda, como no primeiro disco, Álbum de família (2002), não está em Urbano e ficou para os palcos, local em que a banda se destaca, principalmente por conta de Miglio (mesmo que às vezes suas performances soem repetitivas demais em palcos maiores). Não é todo grupo que consegue envelhecer e manter músicas com suas pegadas já características de pop/rock e groove, neste caso específico. O Falcatrua ainda não é uma banda de músicos chatos.

Top 3: “Urbano”, “Tudo termina em nada” e “Não quero ser só”.
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Não seria justo colocar Rubinho Troll em algum lugar entre o início e o final desta lista, que na verdade é só um jeito de organizar as coisas. E seria ainda mais injusto não colocar Rubinho Troll. Por isso ele aparece aqui como bônus. Mesmo não morando em Belo Horizonte (ele mora em Londres desde os anos 90), Troll é filho (e fruto) da cidade. Produzido por John Ulhoa, Stinkin like a brazilian é um trabalho que provavelmente será descoberto e admirado daqui algum tempo, como é o caso hoje dos álbuns do Sexo Explícito (Combustível para o fogo, de 1989, e O disco dos mistérios, de 1991), banda que tinha Rubinho nos vocais e John nas guitarras.

Troll é uma espécie de lenda e gênio pouco compreendido em meio a sua autenticidade, esquisitice e sensibilidade pop. Assuntos bizarros ganham tratamento instigante em suas mãos, como é o caso de “Hoje eu me vi por dentro (Endoscopia)” – o nome fala por si só – e “Minha vida é uma bosta”, interessante se analisada parte de sua letra: “é easy cantar besteira / na banheira ou no chuveiro / mas quando é lá fora pro povo inteiro / é embaraçoso se a família está assistindo / e as crianças estão rindo”. Desde que o Sexo Explícito acabou, Troll mudou-se para Londres e não lançou mais trabalhos, porém compôs canções que entraram no repertório da banda de John, o Pato Fu, como “Menti pra você, mas foi sem querer”, “Mamãe ama é o meu revólver” e “A necrofilia da arte”. Já em “Você só quer tocar o seu violão”, o músico apresenta uma espécie de discussão de relacionamento entre um casal em que a única voz que aparece é a da mulher, representada por ele mesmo.

Rubinho é estranho, seu timbre é peculiar, seus temas são inigualáveis. E, dessa união, há em Stinkin like a brazilian pelo menos uma música que pode ser guardada sob a etiqueta de pop perfeito, caso de “Peçonhas ocultas”: sincera, pegajosa, genial e estranha. Todas as canções do álbum são de sua autoria, com exceção de “Repelente”, versão para a música do Defalla, outra banda genial do Brasil. Stinkin like a brazilian é pop, mas não é um trabalho fácil, pelo contrário. É audacioso e, mesmo lembrando sua extinta banda e o início da carreira do Pato Fu em alguns momentos, tem personalidade, algo não tão comum hoje em dia. Talvez Rubinho Troll continue com sua vida sem pretensão de seguir uma carreira artística, talvez lance um disco em 2013 ou talvez nunca mais lance um trabalho. Imprevisibilidade deve ser algum de seus sobrenomes registrados na carteira de identidade. E autenticidade também.

Top 3: “Peçonhas ocultas”, “Gênio de 3 corações” e “Alma turbinada”.
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Festivais abandonam a Abrafin

O Bragatto levantou a bola de que 13 festivais haviam abandonado a Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes) nesta quarta-feira (14/12). Entre eles alguns dos mais representativos do Brasil: Abril Pro Rock, Goiânia Noise, Rec Beat e 53HC, que se unem aos festivais Porão do Rock, Eletrônika e Porto Musical, que pediram desfiliação da entidade no meio deste ano.

Pouco depois começou a circular pelas redes sociais um vídeo com a “formalização” por parte dos festivais sobre a saída deles da associação, tendo como “porta voz” Márcio Júnior, um dos sócios da gravadora Monstro Discos, dona do Goiânia Noise. Assista:

O interessante é que o nome do canal do Youtube em que o vídeo foi postado é “festivaisindependentes”. Fica a pergunta se a partir de agora terá uma espécie de oposição (organizada) à Abrafin. Outra associação em que os festivais se sintam representados. Já que uma das principais queixas é que eles não se sentem representados pela entidade, conforme documento oficial assinado por todos os festivais que saíram da associação (inclusive os três que saíram no meio do ano, o que reforça a possível nova associação). Um trecho:

Discutindo os rumos tomados pela entidade nos últimos anos, estes festivais, apesar de sua diversidade, apresentam dois aspectos em comum: não pertencerem ao coletivo Fora do Eixo (ainda que praticamente todos eles possuam parcerias pontuais com este mesmo coletivo) e não se sentirem representados pela ABRAFIN. Com base nesta constatação, o conjunto de festivais em questão elaborou este documento apresentando suas perspectivas e anseios em relação à entidade.

 Leia a íntegra do documento aqui.

Indico também a leitura do texto “Não centralizar a descentralização!” do Fernando Rosa, editor do site Senhor F e organizador do festival El Mapa de Todos, que também abandonou a Abrafin.

Até agora a Abrafin não se manifestou, o que deve ocorrer em breve. O site que, teoricamente, seria um veículo oficial da entidade, não é atualizado desde junho de 2011.

 

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A nova música brasileira

O pessoal d’O Globo fez um infográfico interessante intitulado “A nova música brasileira em 2011“. Nele é possível navegar por alguns dos novos nomes da nossa música e ver como cada um dos 18 selecionados se define, como ouvem e descobrem novos artistas e quais suas bandas favoritas. Além de ouvir músicas de cada um deles (Apanhador Só, Karina Buhr, Bixiga 70, Junio Barreto, Nevilton e a lista segue). A introdução:

A nova música brasileira vem em vários estilos, de vários estados e pode ser ouvida de graça na internet. Do pop poético de Tibério Azul ao rock instrumental do Vendo 147, a internet permite hoje (e já há algum tempo) um cardápio bem mais amplo do que o disponível na era do rádio/CD. Mesmo quem não tem um site oficial com o disco para download pode ser alcançado no caótico MySpace.

Artistas consagrados (Chico, Marisa, Lenine, Camelo) e ótimas bandas da cena independente (Autoramas, Eddie, Matanza, Violins, Wado) lançaram discos em 2011, mas decidimos focar apenas nos iniciantes: bandas ou cantores que estejam no máximo no segundo disco. São 18 artistas novos e ainda assim muita coisa (boa) ficou de fora.

O infográfico completo está aqui. E muitos desses nomes (além de outros) estão sempre na tag “música brasileira” aqui no Veia.

 

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