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Tag: dead lover’s twisted heart

“Apocalipse do amor” para o carnaval

Do Amor Dead Lover’s Twisted Heart disponibilizou uma nova música na rede. “Apocalipse do amor” é a primeira canção oficial do grupo cantada em português. A faixa precede um novo EP apenas com músicas em português que está previsto para ser lançado ainda em 2012 (a banda já liberou um teaser sobre ele).

“Apocalipse do amor” foge da estética de DLTH, primeiro álbum cheio do Dead Lover’s, e escorre para um lado carnavalesco/axé semelhante aos caminhos percorridos pelo grupo carioca Do Amor. O link do Soundcloud em que a música foi disponibilizada informa que ela é uma “pré mix de carnaval!”. Talvez por isso ela soe crua demais em alguns momentos. Fica a espera pela versão final e o EP completo.

 

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Entrevista com Guto (Dead Lover’s Twisted Heart)

Voltei a ouvir o disco do Dead Lover’s Twisted Heart esses dias e estava pensando em um jeito para dar a dica do álbum por aqui, aproveitando que ele está disponível em streaming pelo Soundcloud (player abaixo). Lembrei de uma entrevista que fiz com o Guto (guitarrista) para o site do Alto-falante na época em que a banda fez o show de lançamento do disco em Belo Horizonte (e ele até entrou na minha listinha de melhores de 2010).

Resolvi editar o texto de apresentação da entrevista e colocá-la aqui no Veia, já que ela é mais voltada para o disco. “Jornalismo reciclagem”. Pense nas árvores (o SWU vai trazer o Neil Young para isso – faça a sua parte).

O Dead Lover’s Twisted Heart, banda de Belo Horizonte que faz um som que mistura folk, rock e música pra dançar, já está com o aguardado primeiro disco cheio na praça desde o ano passado. DLTH saiu em CD, vinil e também foi disponibilizado em streaming e download. E o som do álbum é aquele já conhecido estilo Dead Lover’s de ser, só que bem mais trabalhado.

DLTH é safado, sexy, puritano, cool, old e romântico de um jeito que talvez só a banda consiga fazer. Entre as músicas do álbum estão as já conhecidas “Mrs. Magill” e “All things (you gotta do)” ao lado das novidades certeiras “Rock hurts and heart beats”, “Line 5102” e as belas “Pretenders” e “Isabelle”.

A conversa com o guitarrista Guto:

Finalmente o primeiro disco da banda… Fale um pouco sobre o processo de produção e gravação. Algumas músicas até já rolavam em shows, né?
Finalmente! Bem, foi um longo processo. Contando do dia em que começamos a fazer as primeiras guias até hoje já se vão 2 anos e meio! Mas esse período tão longo na verdade foi marcado por várias etapas, todas elas bem exemplares dos altos e baixos de uma banda que se mete a fazer um disco com o próprio dinheiro, com o equipamento que dá, contando com a ajuda dos amigos, de parceiros, assumindo todos os riscos desse processo. Queria ter registrado isso melhor. Ia ter sido um barato. Mas foi aquela velha história, gravamos bateria no período mais barato do estúdio (na madrugada) durante as férias, o resto todo gravamos em casa pegando todo tipo de equipamento emprestado, num esquema que tinha que desmontar estúdio quase toda semana e remontar e tal. Nisso todo tipo de mudança na vida das pessoas da banda aconteceu. Pra você ter uma ideia, o filho do nosso produtor musical tem exatamente a mesma idade do disco (risos). Bom, no final das contas o pessoal do selo Ultra Music nos ajudou a finalizar o áudio. Barral (diretor do selo) mixou, masterizamos em Nova York, Pat (baterista da banda) e Yann fizeram a arte do CD e do vinil, e agora vai!

Vocês tiveram algum apoio?
Contamos sim com amizades, apoios morais e algumas parcerias. Apoio de lei, grana do estado e essas coisas? Não tivemos não. Nem tentamos. Foi uma opção da banda. E não vou mentir pra você, é um perrengue desgraçado essa história de produzir exclusivamente com seus recursos hoje em dia. Tem que ralar muito. Seria muito legal que as pessoas tivessem ideia disso, porque é um processo muito rico também. Faltou grana? Claro! Falta até hoje. Mas a gente fez de tudo para cobrir todos os reduzidos gastos do disco com a grana que a banda gerava com os cachês. Uma das coisas que atrasou o processo foi justamente o fato de que não podíamos parar de tocar para gravar, afinal a gente precisava dos cachês para conseguir lançar nosso disco com uma qualidade legal. No final das contas, esse nosso formato “econômico” foi bem interessante, pois conseguimos fazer um processo de gravação até agora “auto-sustentável”, por assim dizer.

Quem assina a produção do disco?
Como eu estava te dizendo, esse disco conta com a produção musical do Thiakov, o mesmo produtor do nosso EP, e na verdade, a parceira mais importante da banda. Ele é como o quinto Dead Lover. Mas o processo foi caminhando de tal forma que eu, que comecei a gravar o disco só como músico terminei por assinar a co-produção artística. Eu e Thiakov tivemos que nos desdobrar imensamente para conseguir chegar a lugares que a banda ainda não tinha chegado. Estudamos muito juntos para resolver problemas de sonoridade, timbragem e arranjos. Foi muito bom no final das contas. Aprendi muito mesmo.

DLTH vai ser lançado em CD e vinil. Por que escolheram esses dois formatos?
Bom, o nosso EP anterior foi disponibilizado para download na internet, mas nós resolvemos finalizar a carreira dele com a prensa em vinil, que saiu no início do ano passado pelo selo Vinyl Land. Foi um convite do Luiz, diretor do selo, e aceitamos pelo prazer de se lançar um compacto nos dias de hoje. Escutando o disco ficamos surpresos como a sonoridade era muito fiel ao nosso projeto sonoro para a banda. Além disso, através do Luiz fomos descobrindo o imenso lastro de colecionadores, de festas e circulação do formato, assim como o interesse enorme que existe hoje pelo que se entende como uma “volta” do vinil. O nosso EP em vinil foi lançado e esgotou com uma rapidez assustadora, foi comentado até não poder mais, demos várias entrevistas falando do assunto. Então terminamos por nos “engajarmos” nessa história do vinil por motivos estéticos e ao mesmo tempo por acreditar que o vinil é um formato que cobre uma lacuna muito importante na produção e consumo da música hoje em dia e que diz respeito justamente aos novos caráteres físicos dela. Além do som ser muito específico – para nós ser esteticamente valioso – o vinil é um objeto lindo, tem muita memória cultural no meio. As pessoas compram às vezes sem ter vitrola. Escutam o MP3. Mas querem ter um novo (velho) objeto para a música.

O que mudou na banda do primeiro EP pra esse álbum cheio?
A banda amadureceu muito. E isso para nós significou até agora diversificar-se ainda mais. O som está ainda mais plural, eu acho. A banda, por sua vez, está mais segura dos arranjos, eles por sua vez estão mais claros, mais detalhados. A participação da banda acompanhando mais de perto o processo de produção do disco deu a ele uma cara mais fiel às apresentações ao vivo. O áudio está bem tratado. Mas o mais importante, o disco fecha um conceito específico deste momento da banda, daqui pra frente devemos ir caminhando para outros lados também.

Você consegue definir o Dead Lover’s? Não só a música, mas a banda como um todo?
Alguns amigos mais próximos costumam gritar durante o show uma brincadeira interna nossa que é chamar a banda de “Dead Lover is Tudo Errado”, que é uma brincadeira com a sonoridade em inglês do nome da banda. É uma boa definição. Somos meio errados (risos). Costumo dizer que somos uma banda “sem caráter”, como o macunaíma, temos qualquer cara, desde que seja boa (risos).

O disco deu uma “vazadinha de leve”, né? Como está a resposta dele até agora?
Está sendo excelente! Só elogios (risos). Essa vazadinha eu vou explicar. A gente mandou intencionalmente o disco para as pessoas que de alguma forma participaram do processo. Amigos de estrada, o pessoal que emprestou equipamento, pessoal da crítica que já nos conhece. Aí ele deu uma circuladinha bem restrita. Mas aí eu fico vendo no twitter que o disco começa a ir se espalhando, cada vez mais gente vai escutando. Tem gente indócil querendo o disco já. De qualquer forma já já sai pra todo mundo. Quem quiser escutar em primeira mão já estamos colocando o disco para audição online, mas para adquirir vai ter que ir ao lançamento.

Pretendem deixar o disco para download em algum lugar? O que pensam sobre isso? [A banda disponibilizou o disco para download aqui, além de ser possívei baixar cada música pelo próprio player do Soundcloud].
Acho que estas coisas são inevitáveis. O disco acaba aparecendo para download. E banda independente tem mesmo é que fazer sua música tocar de qualquer jeito, acho isso bom. No entanto o que acontece é que as pessoas baixam tanta música hoje em dia que lançando de qualquer jeito, sem nenhum tipo arte envolvida nisso, seu som vira quase aquele junk mail que só enche o computador do cara comum, como um spam ou mais um dos 15 discos que cara baixou no dia. Muita gente já nem baixa, escuta online mesmo num esquema que parece ser gratuito, mas as pessoas se esquecem que pagamos muita grana de provedores de internet, que por sua vez ganham enquanto disponibilizamos nossas músicas online. Muita gente acredita que “baixar” disco na internet é “gratuito”, mas não é, né? É um jogo muito delicado. Então voltando, nós devemos colocar o disco inteiro para audição na internet, venderemos o vinil e o CD e esperamos que as pessoas espalhem o nosso som o máximo que puderem.

Por que o nome dele é DLTH? Não quiseram colocar Dead Lover’s Twisted Heart de uma vez?
Pôxa, você é jornalista, imagina que coisa insuportável escrever o nome do disco “Dead Lover’s Twisted Heart da banda Dead Lover’s Twisted Heart”? (risos). Mas não é isso. Escolhemos o nome do disco depois que Pat, nossa baterista, e o Yann finalizaram a arte da capa. É uma opção meio gráfica. A arte do disco é bem minimalista e fez muito sentido serem só as iniciais.

Como vocês observam a cena da música independente em Belo Horizonte?
É engraçado, estando nesse meio aí das bandas que surgiram no final da primeira década dos anos dois mil aqui em BH há algum tempo, é possível ir vendo gente nova ir aparecendo e tornando a coisa ainda mais interessante. Não que exista uma separação entre grupos, muito pelo contrário, todo mundo está cada vez mais misturado, mas estou sacando um tanto de gente nova dando as caras na cena, fazendo um som bom pra caralho, chegando com força. Acho isso sensacional. O número de bandas só aumenta, e o mais importante: bandas muito boas. Coisa instrumental como Iconili e o Dibigode, uma onda meio ska-roque como o Fusile e o Pequena Morte, a galera mais indie do Monograma e o Hells Kitchen Project, os indecifráveis do Grupo Porco, o pessoal da musica brasileira como Urucum na Cara, o Capim Seco… é muita gente boa aí. Belo Horizonte deve ser uma das cenas mais diversas e interessantes do Brasil.

Belo Horizonte influencia a música de vocês?
Com certeza, o fato de todo mundo em Belo Horizonte se conhecer ajuda muito no nosso som. A gente é muito aberto a sonoridades, referências, amizades, interferências e tudo que mude nosso som. Nesse sentido, de alguma forma, o som desses grupos que eu mencionei antes são uma parte mais recente destas nossas referências mais recentes. Já tocamos, somos amigos ou tocaremos com todos eles. Isso é muito bom.

 

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Phoenix, uma banda ok

Texto sobre o show do Phoenix em Belo Horizonte que escrevi para Revista Movin’ Up.

Os franceses do Phoenix fecharam a turnê do elogiado disco Wolfgang Amadeus Phoenix com um show em Belo Horizonte, no último dia 21 – um dia após tocarem no festival Planeta Terra, em São Paulo. E o show da capital mineira foi um exemplo interessante de banda que está em um bom momento da carreira que aparece por esses lados. Ao contrário de grupos que já não são/estão tão relevantes e fazem do público brasileiro uma espécie de Disneylândia para sair do vermelho e pagar as contas. Não que o Phoenix seja sensacional. É apenas uma banda ok, convenhamos. Lembrando que, para os fãs mais animados, qualquer banda é sensacional. Há, neste caso, uma relação muito mais de emoção e gosto passional do que senso crítico.

Ainda assim, é impossível negar que o grupo não fez um show redondo, chegando até a surpreender em alguns momentos. Clap clap também para o som do Chevrolet Hall, que “ajudou” a banda. Principalmente se levado em consideração o histórico que a casa tem com problemas de som durante os shows. A apresentação demonstrou que o Phoenix, e sobretudo o vocalista Thomas Mars, entende e busca trabalhar com o conceito de espetáculo, de entreter o público com um show bem ensaiado e pensado. Afinal, é isso que os fãs querem, mesmo sem saber. E lá estava Mars com seu jeito tímido e francês de ser com sorrisos aparentemente constrangidos que fizeram a alegria de garotas indies ao lado de seus namorados.

Voltando ao quesito espetáculo, a banda abriu o show com o hit “Lisztomania” (como eles fizeram em boa parte da turnê), o que até poderia ser perigoso por “queimar” uma música representativa para o grupo logo no início do show. Mas a continuação do setlist confirmou que o Phoenix estava no local certo e tocando para o público certo. Era possível ouvir os fãs acompanhando praticamente todas as canções que a banda executou. O fato de ser uma apresentação em que os franceses eram a atração principal contribuiu para isso, obviamente. Quem estava alí naquele momento queria ver a banda. Queria cantar com a banda. E isso fez toda a diferença para o show que teve como abertura as bandas mineiras Monno e Dead Lover’s Twisted Heart.

A apresentação contou com músicas de toda a discografia da banda. Bateram cartão “Long Distance Call”, “Consolation Prizes” e “Everything Is Everything”. Mas o recheio da noite foram as canções do álbum Wolfgang Amadeus Phoenix, como “Armistice”, “Lasso”, “Rome”, “Fences” e até a climática “Love Like A Sunset”. Após um mini-set acústico com apenas Thomas Mars nos vocais e Christian Mazzalai no violão e uma tentativa frustrada do vocalista em cantar literalmente em cima do público (os fãs mais afoitos arrebentaram o cabo do microfone), a banda emplacou “If I Ever Feel Better” e “1901” para fechar a noite.

O Phoenix finalizou sua apresentação para um Chevrolet Hall razoavelmente cheio, diante de fãs que conheciam suas músicas, com um som limpo e um sistema de iluminação de encher os olhos, casando perfeitamente com os ritmos e nuances de cada música. Tornando-se um show visual à parte e, ao mesmo tempo, que complementa a sonoridade da banda. Mas por enquanto o Phoenix ainda é uma banda ok que fez um show ok e bem ensaiado. Talvez falte arriscar um pouco mais.

Fotos: divulgação (Gualter Naves/Chevrolet Hall)

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