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Tag archive for: coletânea

“Bença do Batuque”

Esse é o nome da música feita em parceria entre o homem-música-instrumental-experimental M. Takara (Hurtmold e outros milhares de projetos) com R. Brandão (uma das mentes do Mamelo Sound System). A música faz parte da coletânea Oi! Música Brasileira, que reúne boa parte dos artistas brasileiros contemporâneos para gringo ver. E comprar. Apelando talvez para uma “música exótica” que eles adoram. Mas que pode ser visto como positivo por mostrar a diversidade da música brasileira. Passando por caminhos e estilos que vão da tropicália crua do Mini Box Lunar ao pop-MPB da Tulipa Ruiz, do quase axé do Do Amor ao dub/hip hop da Flora Matos. Todos presentes na mesma coletânea, que conta com 38 nomes.

“Bença do Batuque” une as principais características de cada músico: a base repleta de camadas sonoras de Takara com a letra hipnotizante carregada de referências e imagens de Brandão. Um rap misturado com batidas e barulhos eletrônicos de vídeo game. O melhor é ouvir:

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Gauleses Irredutíveis Merecem Aplauso

Materinha (mais entrevista com Cristiano Bastos) sobre a coletânea Gauleses Irredutíveis Merecem Aplauso que escrevi para o site do Alto-falante.

Lançado em 2001, o livro Gauleses irredutíveis: causos e atitudes do rock gaúcho transformou-se de imediato em uma espécie de primo do já clássico Mate-me por favor: uma história sem censura do punk, de Legs McNeil e Gillian McCain, só que sobre o rock produzido no Rio Grande do Sul. Escrito por Alisson Ávila, Cristiano Bastos e Eduardo Müller, Gauleses irredutíveis apresenta entrevistas com mais de 160 pessoas envolvidas com o rock gaúcho, entre jornalistas, produtores e, claro, músicos recontando 40 anos de rock no estado. Atualmente o livro virou uma espécie de lenda e não é fácil de ser encontrado para venda – e ainda não existe previsão de lançamento de uma segunda edição.

Hoje, dez anos depois do lançamento do livro, a revista Aplauso aproveita o gancho de uma matéria (“Por Favor, Sucesso!”) escrita pelo jornalista Cristiano Bastos (um dos autores do livro Gauleses irredutíveis), e coloca no “mercado” a coletânea Gauleses Irredutíveis Merecem Aplauso. A coletânea, que é dividida em dois volumes (cada um com 30 músicas) mais um com faixas bônus (com 10 músicas), está disponível para download gratuito e traz músicas em versões oficiais, acústicas, demos e ao vivo. Muitas vezes com qualidade de áudio nem tão boa, claro. Mas vale levar em consideração mais o caráter de registro histórico da coletânea. Deleite para iniciados e didática para iniciantes.

Liverpool, Os Brasas, Bixo da Seda, Astronauta Pinguim, Bidê ou Balde, Procura-se Quem Fez Isso, DeFalla, Pública, Video Hits, Cachorro Grande, Superguidis e Júpiter Maçã são alguns dos nomes que marcam presença na coletânea, produzida com a intenção de “atingir o coração e os ouvidos das pessoas”, segundo Cristiano Bastos, responsável pela curadoria musical da compilação.

Se o livro Gauleses irredutíveis: causos e atitudes do rock gaúcho tem como primo famoso o livro de Legs McNeil e Gillian McCain, a coletânea Gauleses Irredutíveis Merecem Aplauso pode ser vista como prima made in Brazil da clássica Nuggets: Original Artyfacts from the First Psychedelic Era, coletânea lançada no início dos anos 70 pela gravadora Elektra Records. Cristiano Bastos até a cita no encarte do álbum virtual como uma referência para Gauleses Irredutíveis: “Fazemos votos de que esta tentativa possa ser, ao menos em espírito, nosso Nuggets”.

Tivemos um bate papo com Cristiano Bastos a respeito da coletânea. E se você quiser iniciar o download de Gauleses Irredutíveis Merecem Aplauso antes de ler a entrevista, o caminho é este aqui.

Como surgiu a ideia da coletânea Gauleses Irredutíveis Merecem Aplauso?

O insight para a coletânea surgiu com a reportagem de capa que escrevi para a revista Aplauso “Por Favor, Sucesso!”, cuja abordagem é um debate mercadológico, no estilo “longe demais das capitais”, sobre o rock no Rio Grande do Sul e todas as suas históricas peculiariedades, no que diz respeito ao resto do Brasil. Calhou de o livro Gauleses Irredutíveis – Causos e Atitudes do Rock Gaúcho, que apurei com os jornalistas Alisson Avila e Eduardo Müller, em 2001, está fazendo dez anos este ano. A obra (trabalho de investigação jornalística realizada com 167 músicos, jornalistas e produtores culturais, que enfoca 40 anos de história da música pop gaudéria), está com sua edição esgotada há muitos anos. A procura pela obra, porém, é grande. Recebo e-mails dos mais distantes recantos do País me perguntando sobre uma nova edição do livro. É fácil, igualmente, deparar-se com gente procurando pelo livro na internet – sem achá-lo. Dias desses, um amigo disse que achou um exemplar de Gauleses custando R$ 70 num sebo do Rio de Janeiro… Na Internet ele também não é facilmente “achável”. O exemplar que tenho comigo, aliás, tive de pegar de minha mãe, pois o meu havia sido roubado por algum espertinho. Sei também de uma porção de histórias de gente que teve seu Gauleses surrupiado. Além de ser uma forma de lembrar essa uma década do livro, a coletânea Gauleses Irredutíveis Merecem Aplauso é um presente tanto para o fãs como para as bandas presentes. Sobretudo, como escrevi na apresentação da coletânea, foi uma tentativa de reunir mais de cinco décadas de produção pop gaúcha. Não foi fácil. Pencas de boas bandas ficaram de fora.

O que você espera atingir com a coletânea? E o que espera dela?

Com a seleção que fiz para os três discos, espero atingir o coração e os ouvidos das pessoas. As pessoas, naturalmente, querem “A” coletânea perfeita, assim como esperam pelo livro mais irrepreensível, segundo, claro, seus gostos e critérios de importância. Também sempre procurou-se fugir do óbvio ululante na escolha das músicas. Ou seja, fica aquela sensação, como ocorre em muitas compilações, mesmo as mais respeitosas, de que alguma coisa ficou de fora. Para ambos, livro e coletânea, a resposta é a mesma: um livro ou uma coletânea não são a Bíblia. Não conheço uma coletânea sequer que seja absolutamente “perfeita”. Nem os box set’s Nuggets, com toda sua exuberância, o são. Mas Gauleses Irredutíveis Merecem Aplauso tem recebido excelentes críticas. O Twitter é um dos termômetros desse feedback.

O que você acha que a coletânea representa para a música do Rio Grande do Sul?

Espero que possa significar “respeito”, no sentido de valorizar, através dos tempos, a “protéica” produção de rock no Rio Grande do Sul. Nesses estranhos dias, nos quais arte é mais volátil que gás hélio, ainda faz-se necessário, acredito, que os velhos suportes com os quais o rock nasceu – os circunferentes discos – sejam preservados. Por isso a ideia do trabalho completo, em que os leitores poderiam imprimir a arte, recortar e montar seu álbum em casa. Quase como nos “velhos tempos”. Clicar um mp3 ainda não matou a tátil sensação de inserir um disco no compartimento e botar para tocar. É de um erotismo que os computadores, essas frias máquinas, nunca emularão.

Você é responsável pela curadoria musical. Quanto tempo levou para selecionar as músicas? Como foi esse processo?

Demorou cerca de dois meses, tempo levado na apuração da reportagem “Por Favor, Sucesso!”. Foi um trabalho divertido e trabalhoso de ser feito, mas muito gratificante. O trabalho compreendeu desde a curadoria das canções que formam os três sets, a apuração envolvendo as canções selecionadas e, depois, escrever a respeito das 70 músicas. Por fim, a formatação das artes gráficas dos discos, feita com a equipe da revista Aplauso.

Depois que a coletânea ficou pronta, alguma banda te mandou música mas não dava mais tempo de entrar?

Não, isso não aconteceu. Rolou de algumas bandas não responderem ao “chamamento” para entrar na coletânea. Outras não enviaram suas músicas a tempo do fechamento.

Por algum motivo ficou alguma faixa de fora que você queria muito que entrasse?

Claro que eu gostaria de ter na coletânea gravações de bandas como Engenheiros do Hawaii e TNT, mas no caso dessas duas, por exemplo, os fonogramas teriam de ser licenciados por grandes gravadoras. Embora a indústria fonográfica esteja falida, é bom não mexer nesse vespeiro, motivo pelo qual todas as 70 músicas presentes na coletânea foram liberadas pelos seus autores. A Graforréia [Xilarmônica], provavelmente, foi a grande banda em falta na coletânea. Foi outra que não atendeu ao “chamado”, infelizmente.

Qual o critério para selecionar as músicas que entraram no “volume bônus”?

O critério foi envenenar ainda mais o “creme” com raridades. Dentre as quais, “Aquarianas da Rua 20”, “Cartas de Playground” e “Desconstruções do Acaso”, as quais foram pinçadas do ensaio pós-álbuns Sétima Efervescência / pré-Plastic Soda, do Júpiter Maçã. Algumas bandas que cederam seus sons na última hora, como os Telecines, entraram no terceiro volume.

Para você, quais as três músicas mais “lendárias” que entraram na coletânea?

“Adeus, Meu Chiripá”, do grupo Rebenque, “Sobre Amanhã”, DeFalla e “Lobo da Estepe”, Cascavellettes (ao vivo em 1991). A folkezinha “Adeus, Meu Chiripá”, do desconhecido grupo Rebenque, foi recuperada do álbum Som Grande do Sul, produzido pelo lendário Airton dos Anjos em 1978, época em que a produção discográfica andava francamente em baixa. Essa nem muitos de meus próprios conterrâneos conheciam… Com exceção do Gordo Miranda [o produtor Carlos Eduardo Miranda], que vibrou quando eu lhe disse que ela entraria na coletânea. O registro de “Sobre Amanhã”, remasterizado pelo Flavio Santos, o Flu, não deixa esquecer que o DeFalla, até hoje, é uma das melhores bandas brasileiras de todos os tempos, muito embora muitos torçam o nariz para os feitos musicais de EduK & Cia. No caso de “Lobo da Estepe”, para quem adolescia em Porto Alegre no começo dos anos 1990, meu caso, é um déjà vu e tanto. Os Cascavelletes foram, para muita gente no Rio Grande do Sul, um misto de Beatles, por causa da legião de fãs, com Rolling Stones, em razão de suas picardias dentro e fora dos palcos. Em Gauleses Irredutíveis… o registro de “Lobo da Estepe”, que emula vocalizes de Simon & Garfunkel, também é lendária. Tem o climão das velhas bootlegs empoeiradas. Na gravação, Flavio Basso, também conhecido pela alcunha Júpiter Maçã, resume para o ensandecido público viamonense: “É muito bom tocar canções da banda quando a gente sente que vocês fazem parte dela”. Há muitas gravações que poderiam levar o timbre “lendárias”.

Tem mais algum outro projeto parecido com esse?

Desde o tempo em que [o livro] Gauleses Irredutíveis foi lançado existe a ideia de se fazer um documentário tendo o livro como ponto de partida, obviamente, atualizando-o. Antes, contudo, estou finalizando, com Leonardo Bomfim, o road doc Nas Paredes da Pedra Encantada, que viaja pelas lendas do mítico Paêbirú – Caminho da Montanha do Sol, álbum lançando em 1975 por Lula Côrtes e Zé Ramalho. O filme, que deve estrear em 2011, investiga não só a riqueza musical de Paêbirú, mas também o imaginário particular do interior da Paraíba e o momento psicodélico dos anos 70 na ponte entre Recife e João Pessoa. Depois que terminar essa jornada de “nordestinidade”, voltarei novamente o olhar para o rock do Cone Sul. Assim como foi Gauleses Irredutíveis, tanto a coletânea quanto o livro, um filme que retrate a sempre ardente produção de rock no Rio Grande do Sul precisa ser rodado. A história não pode se perder.

Fotos retiradas daqui.

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Coletânea Dia das Crianças 2010

Tudo começou com uma pergunta: “e se rolasse uma coletânea de dia das crianças apenas com músicas que contenham a palavra ‘criança’ no nome?”. Com isso, depois de uma procura nos arquivos em CD, DVD e algumas buscas pela web nossa de cada dia, cheguei em 14 músicas que, no final, viraram as 10 que estão abaixo.

O único critério de escolha foi: músicas que tenham a palavra “criança” no nome. Independente do conteúdo, mas que, no final das contas, são músicas que você pode colocar para os pimpolhos ouvirem sem problemas. Desde o bicho-grilismo do Tianastácia até pérolas de Noite Ilustrada, Toquinho e Dona Ivone Lara. Além do Tremendão e das baladinhas do Mukeka di Rato e do Devotos (oi?). Sem medo e/ou intenção de ser brega ou cult.

A ideia da capa surgiu de uma contagem regressiva: 12 minutos – cronometrados – para finalizar a arte (sic). Sem nenhuma pretensão. Apenas para ter um registro visual mesmo. Nada além disso.

Baixe aqui a Coletânea Dia das Crianças 2010. A ordem das músicas ficou assim:

01) Tianastácia – Criança louca
02) Palavra Cantada – Criança não trabalha
03) Noite Ilustrada – Meus tempos de criança
04) Chico Science & Nação Zumbi – Criança de domingo
05) Erasmo Carlos – Sou uma criança, não entendo nada
06) Dona Ivone Lara – Sorriso de criança
07) Violins – Qual a criança
08) Toquinho – É bom ser criança
09) Mukeka di Rato – Clube da criança junkie
10) Devotos – Guerra de criança

 

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