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Veia Urbana Posts

Sessão da tarde: Aloe Blacc

Responsável por um dos melhores discos de 2010, Good Things, Aloe Blacc bateu cartão no A Take Away Show, aquele videocast bonito que o pessoal do La Blogotheque faz com propriedade. Blacc aparece em alguns lugares urbanos – o melhor cenário para a música dele, diga-se – acompanhado de seus parceiros de banda e apresenta versões um tanto quanto… orgânicas de “Hey brother”, “I need a dollar”, “You make me smile” e até uma versão para “Use me”, do Bill Withers. Tudo de maneira intimista e até despretensiosa. Sem roubar a atenção das canções.

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Wado ao vivo: mistura para dançar

Aproveitando a onda do texto sobre o show do Phoenix que fiz para a Revista Movin’ Up, publico aqui agora outro texto que escrevi para a Movin’. Desta vez sobre a apresentação que o Wado fez no Conexão Vivo 2010, em Belo Horizonte.

Na última semana, Wado, catarinense de nascimento e alagoano de coração, aportou em Belo Horizonte para mais um show, dessa vez divulgando seu disco mais recente, Atlântico Negro, na décima edição do festival Conexão Vivo.

Na mesma noite, enquanto os ingleses do Placebo borravam a maquiagem com seus hits em um lado da cidade, do outro lado estava um Parque Municipal abarrotado de pessoas em busca de boa música (não que o Placebo não seja). Talvez uma música mais humana e menos andrógina que os gringos. E lá estava o catarinense/alagoano para uma apresentação ao ar livre, em um parque em meio à selva de concreto de uma grande cidade por volta de 23h. Céu limpo, grama, árvores, clima agradável. O cenário estava a favor de Wado. Faltava ele fazer sua parte. E arma pra isso ele tem: música.

As pessoas em frente ao palco principal demonstravam que o show certamente era o mais aguardado da noite. Wado já não é um desconhecido. Tem o público que o acompanha. Além dos curiosos e perdidos na noite, claro. E o fato dele ter um público fiel vem de uma discografia bem regular, senão uma das mais bem sucedidas artisticamente na primeira década deste século no Brasil. Para fazer um pequeno apanhado do que foi apresentado durante o show, podem ser citadas uma das mais emblemáticas para a carreira do músico, “Tarja Preta”, a bela “Fortalece Aí”, a gostosa “Se Vacilar O Jacaré Abraça” e a audaciosa e ao mesmo tempo despretensiosa “Teta”. Além da atual “Rap Da Guerra Do Iraque”.

Culpa de uma discografia linear, qualquer canção citada por ter marcado presença em um show do Wado pode soar de bom tamanho. Já que o repertório disponível permite tal afirmação arriscada. Afirmação fora da realidade de tantos outros artistas brasileiros.

Por ser um festival, já era de se esperar que o show não fosse tão extenso. Mas pelo tempo que durou, cerca de 40 minutos, deu para observar boa parte do público cantando canções do início ao fim, outros marcando presença em um refrão aqui e um verso alí. Além dos iniciados, que parecem ter aprovado, já que dançaram boa parte das músicas de um show orgânico que ganhou outros contornos a céu aberto. Wado tem sangue negro, sangue de mistura. Wado tem suingue pra chacoalhar e fazer os outros balançarem ao som de sua música, sua mistura de ritmos que pode ser pop, rock, axé, samba, MPB. Mas no final é apenas música. E isso não é pouco.

 Foto: divulgação (Marco Aurélio Prates/Conexão Vivo)

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Sessão da tarde: proibido parar

O Sessão da tarde de hoje é quase que um instante de reflexão. Trata-se de um vídeo/documentário que Christian Caselli fez no momento em que a Guarda Municipal do Rio de Janeiro tentava impedir um artista de ficar… parado no centro da cidade, em julho de 2010. O homem trabalha como estátua viva. Os cidadãos que estavam no local naquele momento não deixaram que a Guarda impedisse o trabalho do homem prateado, fato que chamou a atenção de Caselli. O jornalista e editor de vídeo passava pelo local no momento e sacou o celular para registrar o controverso episódio que reflete bem a neura e o despreparo do Estado diante da vontade/manifestação dos cidadãos.

Continue e aperte o play. Não precisa parar.

Bruno Natal fez uma entrevista com Caselli a respeito do documentário Proibido Parar para o jornal O Globo. Aqui.

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Mundinho nosso de cada dia

O mundo é uma zona, deprime e envergonha. O micro universo da crítica cultural contemporânea no Brasil mais ainda. Intelectuais fabricados em série ganham voz a cada esquina, seja no mundo virtual ou fora dele. Tanto que vez ou outra seus disparos no front da cultura passam batido. Mas não para Arnaldo Branco. O cara não perdoa nada. E a tirinha Mundinho Animal, publicada semanalmente no portal G1, que virou livro pela editora Leya, é sobre esse mundo dos que pretensamente acreditam viver em um universo único e que espontaneamente fornecem material para o cartunista.

Em apenas três quadrinhos Arnaldo Branco é capaz de dissecar comportamentos e situações das mais distintas “sub-áreas culturais” como o cinema, a música, o teatro, os críticos, os blogueiros e até mesmo os quadrinhos. O traço característico e quase infantil de Mundinho Animal contribui para o entendimento do assunto (e da classe) em questão.

Exemplifico: você não acha que os dois primeiros quadrinhos abaixo são ainda mais primários/infantis por acaso, né?

Arnaldo Branco gosta de fazer os intelectuais (sic) lembrarem o quanto são banais, o quanto são mortais. Ele parece sentir prazer em ironizar e fazer com que o tal mundinho animal ache graça da sua própria desgraça. O cara é crítico, é cri cri e detona com a elegância de uma puta de luxo a serviço do bem estar do cliente, ou seja, o leitor.

O pai do Capitão Presença (o super herói da Cannabis) tem a capacidade de absorver qualquer situação dentro do universo cultural do Brasil e transformá-la em tirinhas ácidas, engraçadas e, sobretudo, necessárias. Qualquer tipo de produção (ou pseudo produção) cultural serve de matéria prima para Arnaldo Branco. Inclusive este texto.

As tirinhas vieram do blog Mau Humor, do Arnaldo Branco.

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