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Categoria: show

Criolo em Belo Horizonte

Já no dia 24 de março, quase duas horas da madrugada de sexta para sábado, Criolo agradece de modo bem emocionado às pessoas que se espremiam no Music Hall, em Belo Horizonte, para assistir seu show. O rapper demonstra estar bastante emocionado naquele momento. Já se passaram aproximadamente uma hora desde que o espetáculo começou e ele fala ao público: “vocês estão pagando. São clientes. Merecem ser tratados com respeito”.

Criolo entende que tem um produto em mãos. Produto que alcançou um público inimaginável para ele. Logo após o agradecimento a banda inicia a música “Bogotá”. E na plateia o diversificado público de seu produto entra em êxtase – como em praticamente todo o show. Lá estão playboys que pegaram o bonde andando, patricinhas preocupadas em tirar fotos com as amigas para postar no Facebook, pessoas com seu meio século de vida e gente que acompanha o rapper desde muito antes de 2011 – ano do lançamento de Nó na orelha, álbum que projetou Criolo para os quatro cantos do Brasil e todas as camadas sociais. E mesmo diante dessa diversidade, todos cantam a música de Criolo.

Depois de Thiago França finalizar “Bogotá” com um solo de sax espetacular, o frenético DJ Dan Dan entoa trechos de duas letras que fazem parte da autêntica música popular brasileira (e é acompanhado por todos): “É som de preto / de favelado / mas quando toca ninguém fica parado” e “Eu só quero é ser feliz / andar tranquilamente na favela onde eu nasci, é / e poder me orgulhar / e ter a consciência que o pobre tem seu lugar”. Respectivamente “Som de preto”, de Amilcka e Chocolate; e “Rap da felicidade”, de MC Cidinho e MC Doca (Esta última está presente na clássica coletânea Rap Brasil Vol 1 (1995), que, por sinal, sacudiu boas tardes da minha vida em meados da década de 90, quando eu não tinha preocupação com a vida. Ou quando a vida não me preocupava).

Dali em diante, Criolo partiria para o BIS até encerrar seu show, seu espetáculo grandioso com o público na palma da mão. Mas é preciso voltar um pouco no tempo.

O show começa 00h35 com “Mariô”, “Sucrilhos”, “Subirusdoistiozin” e a banda é ovacionada depois desta última. Em “Samba sambei”, Criolo canta “Não baixe a guarda / a luta não acabou” e ergue um braço com o punho fechado em alusão aos Panteras Negras. Todos imitam o gesto do rapper. Uma pergunta surge: quantos alí realmente entendem o significado daquele gesto? Isso não parece importar. O que importa é o entretenimento, o produto que compraram e estão consumindo naquele momento: o show, a cerveja, a balada, a azaração. O conteúdo político parece ficar restrito ao palco e uma pequena parcela do público.

Isso não é demérito para nenhuma das partes. Mas um exemplo nítido do poder da música de Criolo em diferentes nichos de público. Criolo tem um produto e parece ter uma boa noção disso. E ele é um frontman que tem seguidores que defendem sua música e se entregam com suor escorrendo no rosto. Isso não é para qualquer um. Uma das provas dessa entrega é percebida em “Freguês da meia noite”, quando o público toma conta dos vocais e canta a primeira parte da canção e faz com que Criolo pareça assustado com aquela reação da plateia. Sem perder o engajamento político, o rapper para a canção no meio, dá o serviço do Circuito Cultural Zilah Resiste (saiba mais sobre a comunidade Zilah Spósito Helena Greco) e depois segue com “Freguês da meia noite”.

Além da entrega de seu público, a banda do rapper é afiadíssima. O grande destaque é Thiago França nos instrumentos de sopro. E lá também estão Daniel Ganjaman (teclado) e Marcelo Cabral (baixo), responsáveis pelo produto Criolo pós-Doido (em seu primeiro álbum, Ainda há tempo (2006), ele assinava como Criolo Doido) e sua guinada musical.

Músicas, público, músicos, clima. Com esses ingredientes, Criolo fez um show respeitável, independente de todo o hype que gira em torno dele. Apresentação com direito a já conhecida citação de “Cálice”, de Chico Buarque, e “Não existe amor em SP”, acompanhada em um transe coletivo. Além das certeiras “Grajauex”, “Lion Man”, “Linha de frente” e a belíssima “Ainda há tempo”, música-título de seu primeiro trabalho. Criolo não é “o” cara. Ele apenas parece estar no momento certo com as pessoas certas. Resta saber se, por conta disso tudo, com o tempo ele irá se esconder em um altar imaginário que o afaste de suas origens e esqueça do mundão em que ele cresceu onde o filho chora e a mãe não vê.

Antes de tudo
O grupo mineiro Julgamento foi escolhido para abrir a noite. Eles subiram ao palco às 23h05 e fizeram um show distante daquilo que são capazes. E essa perda de qualidade foi percebida por causa de problemas de som. Tocando para um público ainda pequeno, o Julgamento emplacou algumas de suas canções e não conseguiu terminar o show. Pois a produção do evento simplesmente cortou o som da banda durante a última música, “Trajetória”, sem demonstrar nenhum respeito com o grupo e, principalmente, com o público ali presente (lembra da declaração de Criolo no primeiro parágrafo deste texto?). Principalmente porque o Julgamento já havia anunciado que era o final da apresentação, que aquela era a última música. O público tentou avisar a banda sobre a falta de som, mas já era tarde: o Julgamento teve que guardar os instrumentos e sair do palco. O grupo escreveu sobre o incidente em seu blog.

Fotos retiradas daqui.

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Paul McCartney (e a história da música pop) no Rio de Janeiro

Escrevi este texto voltando do Rio de Janeiro para Belo Horizonte, depois do show do Paul McCartney. Não ia publicar. Ia guardar de “recordação” talvez porque tenha ficado muito pessoal. E tenho certo pavor de textos assim (sou reservado, sabe como é). Perdi o texto em casa e prometi que, se o encontrasse, publicaria aqui. Não sei se isso é bom ou ruim, mas aí está.

Já era de se esperar que Paul McCartney fosse causar emoção, comoção e tantos outros sentimentos bonitos e sinceros durante os dois shows no Rio de Janeiro, realizados nos dias 22 e 23 de maio no estádio Engenhão. O público presente no local já entregava o poder da música daquele sujeito. Algumas gerações unidas e cantando as mesmas canções, acompanhando as mesmas melodias. Algumas famílias de mãos dadas como que para deixar aquele momento ainda mais importante e enigmático em suas vidas.

Quem gosta ou tem um mínimo de envolvimento com música sabe do poder de transformação que ela tem na vida de cada indivíduo. Música embala momentos, simboliza pessoas, eterniza instantes, enche corações, derrama lágrimas (de felicidade ou não). Pode até fazer com que você mude o rumo de sua vida, dê um salto adiante ou permaneça estático.

De algum jeito, as pessoas que estavam à espera de Paul McCartney no domingo a noite também sabiam disso. Gente visivelmente emocionada, um senhor e uma senhora de aparentemente uns 50 e poucos anos afirmando que aquela era a “segunda lua de mel” deles, duas amigas que saíram do interior de São Paulo para ver o show em homenagem ao pai de uma delas, que não pôde ir “por causa da saúde frágil”. Gente que “se perdeu” dos conhecidos para assistir o show sozinho e viver aquele momento e dar um “oi” e “adeus” ao Beatle. Sabe-se lá quando será possível um novo encontro.

E como se soubesse da história de cada uma das quase 45 mil pessoas alí dentro do estádio, Paul McCartney aparece no palco transbordando simpatia, sorrisos e uma emoção visível. Alguns segundos observando o público e começa o show com “Hello, goodbye”. Gritos. Histeria. Todos cantam a música.

Lágrimas. Aquele momento era real.

E McCartney vai caminhando por sua carreira em canções que refletem a história de muita gente e a própria história da música pop. “Jet”, “All my loving”, “Drive my car”, “Band on the run”, “And i love her”, “Eleanor Rigby”, “Something”, “A day in the life”, “Dance tonight”, “I’ve got a feeling”, “Sing the changes”… Todas estão lá marcando presença no show e ele marcando presença com seu carisma e simpatia, mesmo sem precisar. Porque convenhamos que, se ele quisesse ser um sujeito chato, hostil e pé no saco, ele poderia. Provavelmente a obra que ele criou e ajudou a criar e cravar na história ainda permaneceria acima de tudo. Mas Paul McCartney segue pelo caminho da simplicidade, carinho e atenção com seu público. Como se fosse aquele avô que faz de tudo para agradar seus netos com piadas, caretas e até mesmo tentar “falar em sua língua”. Ainda que isso aqui signifique um “obrigado” em português carregado pelo inglês (meu Vô Tião era assim – um dos caras que mais me deu bons exemplos na vida. Muito orgulho de ter o sangue dele passando por aqui).

Quando você acha que está sob controle de suas ações e emoções, eis que a introdução dedilhada de “Blackbird” ecoa pelo estádio em um som cristalino como se você estivesse em casa ou um bar mais intimista. E ver um público daquele tamanho cantando a canção junto com Paul McCartney chega a ser surreal. Principalmente por ver gente de mãos erguidas e de olhos fechados como que em uma oração. Talvez a oração de suas vidas, dada a intensidade da interpretação de algumas pessoas.

E aquele senhor de 68 anos em cima do palco não precisa de muito para apresentar suas canções. Ele e sua banda de apoio, que não é nada exagerada, dão conta do recado. McCartney, dois guitarristas, um baterista e um tecladista entregam as músicas em cima do palco sem precisar se esconder atrás de qualquer artifício que exista e seja usado por quem quer que seja. Mesmo que o tecladista seja aparentemente a espinha dorsal da banda, o show é orgânico e reproduz aquilo que as canções são. Sem firulas.

Outros dos momentos mais emocionantes da noite são quando Paul McCartney faz as já conhecidas homenagens aos companheiros de Beatles: toca “Here today” para John Lennon e “Something” para George Harrison. Homenagens conhecidas por quem acompanha notícias sobre suas apresentações, mas não deixam de emocionar naquele momento, naquela hora em que você está “ao lado” dele ajudando a agradecer aos eternos garotos de Liverpool que não estão mais vivos. Isso tudo com o melhor jeito que há para agradecer neste caso: música.

Em algum momento da apresentação, uma sequência matadora toma conta: “A day in the life” (linda como sempre) com direito a “Give peace a chance” ao final e participação especial do público no clássico refrão. Seguida de “Let it be” e “Live and let die”. Esta última é o momento alto do uso de clichês utilizados pelo músico durante o show. Fogos, explosões e sei lá o quê tomam conta do palco nos momentos em que a música ganha força. Durante toda a apresentação, Paul McCartney não abandona os clichês: estão lá a bandeira do Brasil, as brincadeiras em que incita o público a gritar um “oh yeah” aqui e um “yeah yeah yeah” alí e até o “muito obrigado” em português. Só que antes de se fazer qualquer julgamento sobre tais clichês, há se de fazer uma observação crucial sobre tudo isso: Paul McCartney pode fazer uso desses artifícios. Afinal, ele é um dos responsáveis pela criação deles na linha evolutiva da música pop do Século XX pra cá. Aqui há história. Não é apenas alguém que caiu em cima de um palco para servir de bobo da corte.

“Hey Jude” vem em seguida de “Live and let die” para permanecer. É difícil não se encantar, não se entregar e não sorrir ao ver Paul McCartney emocionado em cima do palco com o público acompanhando o refrão e segurando cartazes brancos com “NaNa” escrito em referência ao refrão/coro da canção. A banda sai do palco e o público continua cantando.

Pausa para um abraço em quem está ao seu lado.

E lá volta Paul McCartney fazendo gestos de agradecimentos e manda a introdução de “Day tripper”.

Gritos, gritos e gritos.

No bis ainda tem “Lady Madonna” e “Get back”. Respira. Inspira.

A banda sai. O público não desiste, pede e espera um novo bis, que é atendido. Paul McCartney empunha seu violão para começar “Yesterday”. Um dos grandes momentos da noite para se arrepiar: de todos os lados as pessoas acompanham a balada, que é emendada com o arrasta quarteirão “Helter skelter” e o riff bem mais pesado e presente do que em disco.

E aí você pensa que aquele definitivamente não é um momento muito comum. A história da música pop sendo contada e cantada em sua frente, com um de seus personagens mais importantes (da banda mais importante) há alguns metros de seu nariz. Talvez este seja um daqueles momentos em que se possa falar que esteja vivendo a felicidade. Ou talvez seja apenas emoção.

“Sgt. Pepper’s lonely hearts club band (reprise)” começa para o início do fim. Esperava por esta música desde “Drive my car”, mais para o início do show. “The End” fecha tampa das quase três horas de show para lavar a alma de quem não pôde ir ao show que Paul McCartney fez em 2010 em São Paulo, mas que iria na “próxima vez que ele voltasse ao Brasil. Custasse o que custasse. Palavra”.

Palavra cumprida.

Foto: divulgação/Marcos Hermes.

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A música representativa de Marcelo Jeneci

Marcelo Jeneci, o nome de maior peso da nova música brasileira desde 2010, chegou com aquele jeito quieto e manso que lhe é peculiar para fazer um show bonito e intenso do começo ao fim dentro da programação do Conexão Vivo Belo Horizonte, na noite de 27/05. Algo que para ele até parece ser fácil, dada a sua tranquilidade em cima do palco (mesmo quando está com problemas de retorno no som, por exemplo). O repertório da apresentação foi baseado no álbum Feito pra acabar (2010), que abocanhou os primeiros lugares das principais listas de melhores do ano passado no Brasil. O tratamento dado às músicas no disco deixaram elas com um toque moderno, carregadas de referências populares e, ao mesmo tempo, atemporais. Ao vivo os arranjos tornam as canções ainda mais grandiosas, intensas e, em alguns casos, delicadas. E aqui o mérito é de Laura Lavieri, cantora que divide os vocais com Jeneci e já pode se dar ao luxo de figurar entre as grades vozes femininas do Brasil.

Presenciei o show de Marcelo Jeneci na edição 2010 do Conexão Vivo em Belo Horizonte por curiosidade com aquele nome que carregava parcerias com Arnaldo Antunes e Vanessa da Mata e era até então desconhecido, pois ainda não havia lançado o disco Feito pra acabar. Lembro de ter sido um show bonito, redondo. E Laura já chamava atenção com seu talento vocal e aquela timidez simpática. Em algumas músicas ela não encarava o público de frente, permanecendo boa parte do show de lado em cima do palco, virada para Jeneci. Já neste show de 2011, ela demonstra mais segurança e em alguns momentos até esboça uma interação mais íntima com a plateia. Mas isso não é nada que prejudique sua “performance”. Apenas contribui para que a delicadeza e beleza de sua voz fiquem ainda mais evidentes – já que ela não utiliza outros artifícios durante o show, apenas a voz.


O show andou por caminhos que foram do pop pegajoso de “Copo d’água” até a veia popular de “Por que nós?”, passando pela ensolarada “Show de estrelas”, pela jovem guarda e brega “Pense duas vezes antes de esquecer” (aqui Laura Lavieri é o grande destaque, quando canta a primeira parte da música) até desembocar em uma versão sublime de “Feito pra acabar”, misturando psicodelia, sentimento, delicadeza, peso e explosão. Definitivamente uma canção rara. Além disso, também estiveram no show versões especiais de “Pra sonhar”, “Felicidade” e “Dar-te-ei”. O “especiais” aqui é por questões muito mais pessoais do que sou capaz ou tenho coragem de escrever, perdão.

Um dos grandes méritos de Marcelo Jeneci é o de fazer com que sua música seja fácil (sem ser banal), significativa e assimilável para praticamente qualquer pessoa. Desde senhoras e senhores nostálgicos com Roberto Carlos e a trupe da Jovem Guarda até jovens universitários fãs de música pop e que ainda carregam na memória os grupos e músicas populares a que foram expostos na infância por meio de diversos veículos de massa, como novelas e FMs, por exemplo.

Já a escola musical que Jeneci foi exposto durante sua formação fez com que ele unisse elementos aparentemente díspares para criar canções capazes de unir pessoas, gerações. Isso de maneira única e exclusivamente por conta daquilo que a música desperta em cada um: emoção, carinho, lembranças, aperto no peito (que o ser humano reclama, mas no fundo gosta de sentir). Mas em resumo música também é isto: é união, é compactuar sentimentos semelhantes, é buscar seus pares por meio de melodias, letras, acordes, discos. E é isso que Marcelo Jeneci oferece às pessoas por meio de seu trabalho. O que talvez explique a emoção arrebatadora com que as pessoas costumam se referir à sua música. Um belo show. Mesmo.


Fotos: divulgação

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O peso certeiro do Julgamento

O Julgamento costuma ter um dos shows mais intensos de Belo Horizonte. Coloque na conta letras de caráter social/humano, beats do hip hop, guitarras pesadas com efeitos dentro de uma escola Tom Morello, três vocalistas, um baixo que garante uma base rítmica e funkeada aqui e uma bateria pesada alí e você terá o resultado do que o Julgamento é ao vivo. E esta apresentação no Conexão Vivo Belo Horizonte de 2011 foi provavelmente o melhor show deles que assisti até hoje desde 2007, quando conheci o grupo. E é ao vivo que o Julgamento mais mostra a identidade que vem moldando nos últimos anos, fugindo da “simples base pré-definida em músicas que ganham vocais por cima”, como é característico em outros grupos de rap. Aqui a formação de banda garante todo o diferencial do Julgamento em relação aos seus parceiros de gênero, o que permite ao grupo caminhar entre as vertentes do rap e do rock ao mesmo tempo sem parecer perdido em algum dos lados.

Unido ao seu peso e discurso, o Julgamento contou com dois convidados especiais em sua apresentação: a novata Nathy Faria e o veterano Marku Ribas. A moça tem um dos trabalhos mais peculiares da cidade, apresentando uma proposta musical que até o momento não tem pares em Belo Horizonte (o primeiro disco dela está prometido para sair ainda este ano. Fique atento). Já o senhor e lenda da música brasileira Marku Ribas dispensa comentários. Dono de uma presença de palco e domínio de público assombrosos, Marku foi uma grata escolha como convidado para o show. O encontro teve direito até a uma canção inédita dele, “Broder”. O peso e a grandiosidade de sua performance casaram com o peso instrumental do Julgamento, rendendo elogios de vários lados após o show.

Foto: divulgação

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Tulipa Ruiz e seu pop florestal no parque

Tulipa Ruiz entrou em campo com o jogo ganho, aparentemente. Abrindo o show com a canção “Efêmera”, que dá nome e também abre seu disco de estreia, Tulipa já ganhou pontos com o público de imediato. O seu “pop florestal” parecia em casa alí naquele cenário do Parque Municipal ao ar livre em uma noite agradável no Conexão Vivo Belo Horizonte – o frio não foi um problema. Tulipa esbanjou simpatia, sorrisos e interação com o público. O ponto alto foi quando, em “Só sei dançar com você”, ela passou o microfone para que as pessoas na frente do palco cantassem o refrão na parte final da música, enquanto ela dividia o microfone com seu irmão, o guitarrista Gustavo Ruiz.

Depois de uma versão para “Da maior importância”, de Caetano Veloso, com um belo coro ao final, Tulipa e banda emplacaram a imagética “Às vezes”, o pop perfeito cantado em português (e sem refrão). Ao vivo a música mantém aquele ritmo gostoso, pegajoso e, principalmente, a linha de baixo que é sua espinha dorsal. Tulipa ainda fez questão de pedir palmas para o autor da faixa, o músico (e pai dela) Luiz Chagas, eterno integrante da banda Isca de Polícia, de Itamar Assumpção. Merecido.

Karina Buhr ainda não havia abandonado aquela noite. Em uma participação não programada previamente, Tulipa convidou Karina para acompanhar os vocais de “Brocal dourado”. Conexão mais que bem vinda, já que a encapetada Karina estava vestida com uma roupa carregada com uma espécie de lantejoulas douradas (ou algo bem próximo disso). Tulipa em seu lugar de popstar de um nicho e promessa de romper esta barreira, fez um show memorável.

Foto: divulgação

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