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TramaVirtual (2001-2013): 30 artistas antes do fim

28 de fevereiro de 2013. O TramaVirtual anuncia que o portal sairá do ar no dia 31/03/2013, em uma mensagem bem direta e objetiva: “Agradecemos a todos que estiveram conosco.” Soco na cara. Quase que uma música punk… Criado em 2001, hoje o acervo conta com mais de 78.720 artistas e 205.435 músicas. Tudo ali para download. Tudo ali para conhecer. Tudo ali para se esbaldar e entrar em um mundo novo. Um mundo que não estava na esquina de casa. Ou talvez estivesse e eu não soubesse. E quando chegar o último dia de março, tudo isso vai virar uma história para contar.

Tudo será apagado quando o site sair do ar. Mas vai ficar na memória afetiva de no mínimo umas duas gerações que conheceram muita coisa boa por aquele canal. Muita mesmo. Em seu auge, o portal foi berço e casa de muito artista. E um universo a ser desvendado para o público. Já passei horas e horas e horas baixando MP3 pelo Trama. Clicando em nomes, descobrindo, gostando, odiando, indicando. Lembro que achava o máximo poder baixar músicas de maneira legal. Só com um cadastro. E teve uma época em que eu ainda esperava a newsletter semanal deles com as dicas e novidades para correr atrás.

E uma das coisas mais bacanas era justamente a paixão que a equipe do site tinha em garimpar e indicar os artistas ou músicas mais legais que eles descobriam lá dentro. Textos apaixonadíssimos sobre música feitos por quem ama música. Difícil não se envolver. Difícil não querer fazer parte daquilo. Em ouvir aquilo e se identificar (~ou não~ em algumas vezes). Música é assunto passional. Deve ser tratada com amor. Muita coisa obscura ou rara da música produzida no Brasil nesse início de século só existe no TramaVirtual. E é meio chato pensar que isso tudo pode desaparecer no final do mês.

João Marcello Bôscoli, um dos donos da Trama, falou sobre os motivos que levaram ao fim do projeto em entrevista à Folha de S. Paulo. Independente desses motivos (e de outros), o que vale é o bom serviço prestado pelo portal à música brasileira. Foi bonito enquanto durou. E antes que a tampa dele se feche definitivamente, ainda há tempo de conhecer muita coisa bacana que está lá dentro. Separei 30 dicas de artistas que merecem o download por motivos até bem pessoais, logo abaixo.

E vale passar pelos sites/blogs Scream & Yell, Fita Bruta, Urbanaque, La Cumbuca, Pergunte ao Pop, Na Mira do Groove, Floga-se e Rock in Press. Eles também separaram bastante coisa para correr atrás antes do TramaVirtual virar aquela lembrança na memória de muita gente que teve parte de sua educação musical orientada por ele.

Valeu, TramaVirtual.

 

30 ARTISTAS PARA BAIXAR ANTES DO TRAMAVIRTUAL ACABAR

Autoramas: toda a história da banda (e algo mais) está no perfil deles no site. Dê atenção especial para o material raro, como demo tapes e compactos.

Beto Só: ou o Elliott Smith de Brasília. Estão lá os três discos dele. Se for para escolher apenas um, vá direto ao Dias mais tranqüilos. Lindo de doer. E aquela dor mais gostosa de se sentir.

Bonifrate: um dos sujeitos mais interessantes (e com uma das mentes mais instigantes) que surgiram na música brasileira nos últimos anos. E uma das entrevistas que mais tenho orgulho de ter feito. Cof, Cof.

Carbona: da época em que eu escutava hardcore e cantava músicas como “Fliperama”, “Eu Quero Ir Com Você Pra Lua” e “Meu Primeiro All Star”, do disco Taito Não Engole Fichas (com aquela modelo gostosa na capa), que eu achei na rua. E só por isso comecei a escutar a banda. Destino.

Carolina Diz: uma das bandas mais incríveis que já existiram em Belo Horizonte. Não existe material deles em nenhum lugar da internet além do TramaVirtual. Arrependimento certo é não baixar os dois álbuns completos: Se Perder (2003) e Crônicas do Amanhecer (2008), clássicos absolutos da música feita na capital mineira.

Dead Lover’s Twisted Heart: a parte musical mais legal da banda e que vale a pena (cantada em inglês) está no site. Canções no mínimo irresistíveis para qualquer festa.

Faichecleres: provavelmente a banda mais depravada do Paraná. “Aninha Sem Tesão” é um clássico particular. Sem mais.

Hotel Avenida: projeto folk curitibano que envolveu nomes como Ivan Santos (OAEOZ) e Giancarlo Rufatto e teve vida curta de apenas dois EPs, infelizmente. Mas dois EPs que valem a memória.

Inkoma: a Pitty antes de ser a Pitty. Molequinha rock’n’roll antes de virar musa para adolescentes adeptos da rebeldia juvenil de todo o Brasil. Registro interessante.

Jair Naves: corra atrás de qualquer tipo de música que envolva o nome Jair Naves. Sinceridade, violência, melodia, lirismo, complexidade, nó na garganta. Tudo à flor da pele. Do jeito que tem que ser.

Lasciva Lula: é deles o primeiro disco que comprei pela internet: Sublime Mundo Crânio. Custou dez reais, frete grátis. Foi emocionante quando chegou. Tenho até hoje. E ele é lindo e perfeito e esquisito até hoje. Daqueles álbuns para guardar e contar a história daqui umas décadas.

lo-fi dreams: antes do Giancarlo Rufatto ser o Giancarlo Rufatto e ter a Cecilia, ele tinha essa identidade secreta. O estilo de produção lo-fi deve fazer parte do DNA dele. Sorte nossa.

Los Porongas: possivelmente uma das bandas mais emblemáticas da nova música brasileira desde a década passada. No perfil deles, ainda tem um Single Tramavirtual com a música “Retrato Calado” que eu nem conhecia. Vivendo, fuçando e descobrindo coisas novas. Amo muito tudo isso.

Ludovic: banda antes de Jair Naves seguir em carreira solo. Tem os dois álbuns do grupo, Servil (2004) e Idioma Morto (2006), disponíveis para download. Experimente ouvir no último volume dentro de um quarto escuro. É revelador.

Lulina: único lugar com toda a discografia gigante da mulher que canta (e encanta) sobre amor, ET, a vida e coisas sem sentido. Não que amor, ET e a vida tenham sentido…

Medialunasbanda do Andrio Maquenzi (ex-Superguidis) com a esposa Liege Milk. Para baixar, ouvir e guardar o primeiro trabalho deles, Intropologia. Penso que será interessante analisar os próximos passos do grupo (e do Andrio) à partir desse disco.

monno: uma das bandas mais super-ultra-mega-valorizadas de Belo Horizonte na década passada. Mas com uma música que vale muito a pena, a bela “21 Dias”. “Prefiro você a ficar em paz…”

Nevilton: a banda que já foi uma grande aposta e tem shows muito mais intensos que o material em disco, que também vale a atenção.

OAEOZ: outro projeto de Ivan Santos. Um vasto material de folk rock que merece ser guardado e escutado sem pressa. Com a calma, a atenção e a introspecção que merece.

Paralaxe: uma das bandas mais interessantes e obscuras e desconhecidas de Belo Horizonte. É deles a música “Catch A Rising Star”, espécie de “Faroeste Caboclo” do Século XXI. Só essa faixa já valeria a banda inteira, mas o resto do trabalho é tão legal quanto.

Pipodélica: ainda tenho um CDR queimado, com capinha e tudo, com vários EPs do grupo. Boas lembranças de tardes e noites embaladas ao som da banda.

Pública: uma banda que é dona de canções poderosas como “1996” e “Long Plays” merece atenção. Pedro Metz é um dos grandes compositores dessa geração. Baixe tudo.

Pullovers: Tudo Que Eu Sempre Sonhei, último trabalho lançado pela banda, é um dos discos mais obrigatórios dos anos 00. Mesmo! Ele é sobre a vida em São Paulo. Mas também é sobre Belo Horizonte, Nova York e qualquer outra metrópole. Tudo pelo ponto de vista de Luiz Venâncio, a espinha dorsal do grupo.

Superguidis: a banda que mais falou de igual pra igual comigo de toda essa galera surgida nos anos 00. Resolveram se separar em 2011 e deixaram os discos oficiais Superguidis (2006), A Amarga Sinfonia do Superstar (2007) e Superguidis (2010), entre outros EPS disponíveis no TramaVirtual. Salve tudo no seu computador.

Terminal Guadalupe: uma banda que queria ser grande. E trabalhava para isso sem medo. Já merece respeito por essa atitude. Mas ainda contava com as letras atordoantes de Dary Jr. Tanto aquelas sobre política quanto as sobre amor. Sem contar a parte instrumental poderosíssima. Toda a discografia do grupo está disponível para download. Vale cada megabyte baixado.

Ventania: tenho a sensação de que todas as pessoas (e outros seres) da Via Láctea já se identificaram pelo menos uma vez na vida com as letras desse maluco. Maluquice danada isso tudo.

Volver: antes de causar polêmica com a canção “Mangue Beatle”, a banda meio Jovem Guarda, meio Inglaterra dos anos 60 lá do Recife já chamava atenção com suas músicas de baile. Para bailar.

Walverdes: além de ter um dos melhores blogs/textos da internet brasileira, Gustavo Mini é um dos cabeças da Walverdes, que merece atenção em todos os trabalhos. Em especial o disco Playback, clássico de 2005.

Wonkavision: a banda brasileira mais fofa e sacana da década passada. Power Pop, melodias singelas e letras… nem tão fofas quanto parecem. Tipo aquela menina que você acha ingênua, mas no final das contas, ela te passa a perna, te joga no chão e ainda cospe na sua cara. Depois ela sai andando toda pomposa e você fica ali jogado com o coração na mão.

Zefirina Bomba: violões turbinados, gritaria, distorção, testosterona, juventude rebelde, último volume. Isso é só o que você precisa saber antes de ouvir Zefirina Bomba.

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