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Cidadão Instigado no Conexão Vivo Belo Horizonte

Capitaneada por Fernando Catatau, talvez o melhor guitarrista do Brasil atualmente, a banda Cidadão Instigado fez show em Belo Horizonte no último dia 22 de abril, dentro da etapa de início da edição 2011 do Conexão Vivo.

20h20 em ponto e as luzes do Grande Teatro do Palácio das Artes ficam vermelhas. É o anúncio de que a banda já vai subir ao palco. Os músicos aparecem, empunham seus instrumentos em meio a luzes piscando e começam o show com “Doido”, que já faz o público ficar com atenção redobrada, dada à competência do grupo e ao fato de grande parte da plateia estar alí para ver o nome que se apresentaria em seguida, o pernambucano Otto. Logo depois a banda já manda “Como as luzes”, em que as guitarras constroem, ao lado da iluminação, todo o clima psicodélico do show.

Show que foi marcado pela qualidade de som acima da média proporcionada pelo ambiente do Grande Teatro, que costuma não errar nesse quesito. E para uma banda que tem a proposta que o Cidadão Instigado tem, isso faz muita diferença. É uma banda que deve ser degustada (humm) como um todo, principalmente ao vivo. Pelo conjunto da obra e não de um ou mais elementos. Apesar de Fernando Catatau ser um guitarrista acima do padrão, o músico em momento algum tentar chamar a atenção para si. O que é resultado, também, de sua timidez. O que vale em cima do palco é o nome de uma banda e não de um instrumentista apenas. E por conta da qualidade do som, a banda teve um desempenho melhor do que na última vez que se apresentou em Belo Horizonte, na edição 2010 do Conexão Vivo, em show a céu aberto no Parque Municipal que, é verdade, tem lá o seu charme. Mas no caso do Cidadão Instigado, o show no Teatro foi mais positivo.

A banda seguiu tocando seu mundo particular baseado em grande parte no disco Uhuuu! (2009) e fez do palco seu lugar sagrado naquela sexta-feira santa misturando psicodelia e sertão, sofisticação sonora e melodias bregas e entregaram “O nada”, “Os urubus só pensam em te comer” e “Deus é uma viagem”, particularmente instigante para a data em questão. Sem contar o coro ao final da música que ficou ainda mais grandioso em um ambiente fechado. E só depois de “Contando estrelas”, a sexta música da noite, que Fernando Catatau esboça alguma manifestação direta com o público, quando verbaliza um “boa noite” sem muita perda de tempo e continua o show com “Escolher pra quê?”, “O cabeção” e a linda “Homem velho”, composta em homenagem ao velho Neil Young.

Quando o Cidadão Instigado começa a tocar “Lá fora tem (acústica)” já é de se esperar que o show caminhe para o fim. Os versos “Lá fora tem um lugar que me faz bem e eu vou lá” fazem sentido naquele momento. Funcionam realmente como uma despedida. Despedida que não teve bis, infelizmente. Mas que já valeu por ter catapultado o show ao posto de um dos melhores do ano na cidade. Até o momento, diga-se. E mesmo que algumas pessoas não entendam a proposta deles, o Cidadão Instigado continua sendo aquela banda que chama a atenção única e exclusivamente por causa de sua música. O resto é perfume.

Logo em seguida, Catatau voltaria para tocar no show de Otto, seu patrão.

Fotos: divulgação.

Published in música show

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