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2010 acabou. Mas a música não

2010 acabou… Tem música que vai ficar por um bom tempo na nossa memória e outras nem tanto. Alguns discos e/ou canções vão permanecer como referência para determinados momentos da vida de cada um – para o bem ou para o mal. O ano que acabou teve de um lado grandes estreias (Tulipa Ruiz, Marcelo Jeneci, Apanhador Só, Jair Naves solo…) e do outro lado bandas firmando suas identidades (Superguidis, Cérebro Eletrônico, Lestics, Pata de Elefante…). A tão falada, discutida e “teorizada” nova música brasileira segue marcando terreno, comendo pelas beiradas, conquistando espaço e, sobretudo, respeito.

O ano de 2010 acabou, mas a música que nasceu nele, não. Ela vai permanecer viva, pulsando e sendo descoberta por aí com o passar do tempo. Daqui uns anos algum moleque ainda vai descobrir o EP “Araguari”, do Jair Naves, e se identificar com as letras pessoais e sinceras à flor da pele. Ou então com o amadurecimento dos “guris” da Superguidis exposto do terceiro disco da banda. Ou ainda com a síntese/escola dos anos 00 que é o álbum do Apanhador Só – nessa década musical que começou em 2001 com o pontapé do Los Hermanos e o irretocável “Bloco do Eu Sozinho”.

Esse mesmo moleque talvez possa querer fazer uma festa e colocar umas garotas para dançar ao som do disco “Sunga”, do Holger (Sunga é um nome bem sugestivo, aliás) e da estreia do Do Amor. Ele também pode tentar arrastar alguma moça para um local mais reservado nessa mesma festa com a intenção de dar uns pegas na presa e usar o “Fred Astaire”, do Lucy and the Popsonics, para tal finalidade. Ou então usar a safadeza do primeiro disco cheio do Dead Lover’s Twisted Heart.

O sujeito também pode descobrir que música pode ser feita apenas por amor à própria música, sem nenhuma pretensão. Como é o caso do belo “Machismo”, do Giancarlo Rufatto. Além disso, ele pode entender que o disco homônimo do Watson demonstra que o grupo merece uma atenção mais cuidadosa (mesmo que a banda ainda precise ser lapidada). Há ali um compositor (Miguel Martins) que merece atenção.

O personagem/moleque deste texto pode querer juntar uns amigos para tomar umas cervejas e tragar alguns cigarros (independente da espécie) lá pelo meio da tarde ao som de “Amigo do Tempo”, da banda Mombojó ou então do EP “Pressuposto”, do Nevilton. Sem contar o disco “Deus e o Diabo no Liquidificador”, do Cérebro Eletrônico. Isso tudo com a certeza de que está na companhia de artistas que têm qualidade musical, autoral e presença de palco para segurar qualquer festa (independente do tamanho).

Provavelmente o moleque irá entender que o passado pode ser revisitado (como é constantemente), mas com respeito e um toque de ousadia, como o álbum “Escaldante Banda”, do Garotas Suecas, e até mesmo o Diego e O Sindicato com o disco “Parte de Nós”. A ousadia pode estar principalmente no ato de abrir o baú de maneira tão escancarada e sem medo, mas ainda assim com uma identidade própria. Ou mesmo sentir curiosidade por Marcela Bellas e seus projetos paralelos (“Cohen & Marcela” e “Undergrude”, ambos lançados em 2010) e ficar confuso por ela ainda ser (ou ter sido) um dos segredos mais bem guardados da Bahia de todos os santos e artistas peculiares.

O tal moleque pode até se emocionar profundamente ao ouvir Marcelo Jeneci e Tulipa Ruiz com “Feito Pra Acabar” (dele) e “Efêmera” (dela) e sacar a ironia dos nomes de duas obras que já estão cravadas na história da música brasileira. E ainda ficarão marcadas como referência em questão de composição, arranjos e produção para futuras obras e artistas.

Enfim, tudo isso para colocar aqui alguns discos que foram lançados em 2010 e disponibilizados para download gratuito pelos próprios artistas. Certamente esqueci muita coisa. Faz parte da vida e da idade. Mas deixa aí nos comentários que conversamos…

Não seja passivo (a). Busque o novo.

(Clique nos nomes para baixar os discos.)

A Banda de Joseph Tourton – A Banda de Joseph Tourton

Apanhador Só – Apanhador Só

Cohen e Marcela – MiM Um Disco Romântico

Dead Lover’s Twisted Heart – DLTH

Diego e O Sindicato – Parte de Nós

Do Amor – Do Amor

Garotas Suecas – Escaldante Banda

Giancarlo Rufatto – Machismo

Graveola e o Lixo Polifônico – Um e Meio

Guizado – Calavera

Gustavo Telles & Os Escolhidos – Do Seu Amor, Primeiro É Você Quem Precisa

Holger – Sunga

Irmãos Brutos – EP (link disponibilizado no MySpace da banda)

Jair Naves – Araguari

Lafusa – O Preço do Horizonte

Lenzi Brothers – Fora de Estoque

Lestics – Aos Abutres

Los Pirata – Les Show

Love Bazucas – Love Bazucas

Lucy and the Popsonics – Fred Astaire

Maquinado – Mundialmente Anônimo

Mombojó – Amigo do Tempo

Nevilton – Pressuposto

Pata De Elefante – Na Cidade

Rael Da Rima – MP3: Música Popular do 3º Mundo

Renato Godá – Canções para Embalar Marujos

Rocknova – Diante

StereoScope – Conjunto de Rock

Superguidis – Superguidis

Watson – Watson

Published in download música

7 Comments

  1. cara,
    parabéns pelo texto!
    um texto apaixonante, poético, informativo!
    não só uma lista do que aconteceu
    em diferentes linhas da música independente brasileira
    mas também uma crônica sobre o moleque
    que todo apaixonado por música é.
    foda!
    e muito obrigado pela lembrança ao nosso disco
    ( http://www.myspace.com/diegodemoraes )

    não é “todo dia” que nasce um texto desse…

    abraço!

    dieguito

  2. Gustavo Martins

    Gustavo Martins

    Belo texto, e grandes indicações. Muitos eu não conheço, mas vou buscar a partir de agora.
    Sempre gostei de seus comentários no site do Alto Falante, e fiquei feliz em descobrir seu blog. Abraços!

    • Valeu, Gustavo.
      Tem muita coisa nessa “listinha” aí que vale a pena correr atrás.
      Volte sempre. Estou lá no AF e aqui também.
      abs.

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