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Mundinho nosso de cada dia

O mundo é uma zona, deprime e envergonha. O micro universo da crítica cultural contemporânea no Brasil mais ainda. Intelectuais fabricados em série ganham voz a cada esquina, seja no mundo virtual ou fora dele. Tanto que vez ou outra seus disparos no front da cultura passam batido. Mas não para Arnaldo Branco. O cara não perdoa nada. E a tirinha Mundinho Animal, publicada semanalmente no portal G1, que virou livro pela editora Leya, é sobre esse mundo dos que pretensamente acreditam viver em um universo único e que espontaneamente fornecem material para o cartunista.

Em apenas três quadrinhos Arnaldo Branco é capaz de dissecar comportamentos e situações das mais distintas “sub-áreas culturais” como o cinema, a música, o teatro, os críticos, os blogueiros e até mesmo os quadrinhos. O traço característico e quase infantil de Mundinho Animal contribui para o entendimento do assunto (e da classe) em questão.

Exemplifico: você não acha que os dois primeiros quadrinhos abaixo são ainda mais primários/infantis por acaso, né?

Arnaldo Branco gosta de fazer os intelectuais (sic) lembrarem o quanto são banais, o quanto são mortais. Ele parece sentir prazer em ironizar e fazer com que o tal mundinho animal ache graça da sua própria desgraça. O cara é crítico, é cri cri e detona com a elegância de uma puta de luxo a serviço do bem estar do cliente, ou seja, o leitor.

O pai do Capitão Presença (o super herói da Cannabis) tem a capacidade de absorver qualquer situação dentro do universo cultural do Brasil e transformá-la em tirinhas ácidas, engraçadas e, sobretudo, necessárias. Qualquer tipo de produção (ou pseudo produção) cultural serve de matéria prima para Arnaldo Branco. Inclusive este texto.

As tirinhas vieram do blog Mau Humor, do Arnaldo Branco.

Published in quadrinhos

3 Comments

  1. Li recentemente ‘Mundinho Animal’ e já entrou para minha lista de favoritos. O texto do Arnaldo Branco é tão genial que torna até o traço – que parece feito propositalmente por uma criança de 6 anos – uma obra de arte. Impossível não se identificar com pelo menos um dos temas abordados.

  2. […] conta com depoimentos de Jaguar, Ziraldo, Angeli, Laerte, Allan Sieber, Lourenço Mutarelli, Ota, Arnaldo Branco e até o Glauco, que já foi rabiscar por outros lugares, além de outras figuras. Vamos […]

  3. […] (exceto o S&Y) Revista Trip Rolling Stone Brasil Link Compacto Cinema de Rua   MELHOR LIVRO Mundinho Animal, de Arnaldo Branco Muchacha, de Laerte Cachalote, de Daniel Galera e Rafael Coutinho Ninguém Muda […]

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