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Phoenix, uma banda ok

Texto sobre o show do Phoenix em Belo Horizonte que escrevi para Revista Movin’ Up.

Os franceses do Phoenix fecharam a turnê do elogiado disco Wolfgang Amadeus Phoenix com um show em Belo Horizonte, no último dia 21 – um dia após tocarem no festival Planeta Terra, em São Paulo. E o show da capital mineira foi um exemplo interessante de banda que está em um bom momento da carreira que aparece por esses lados. Ao contrário de grupos que já não são/estão tão relevantes e fazem do público brasileiro uma espécie de Disneylândia para sair do vermelho e pagar as contas. Não que o Phoenix seja sensacional. É apenas uma banda ok, convenhamos. Lembrando que, para os fãs mais animados, qualquer banda é sensacional. Há, neste caso, uma relação muito mais de emoção e gosto passional do que senso crítico.

Ainda assim, é impossível negar que o grupo não fez um show redondo, chegando até a surpreender em alguns momentos. Clap clap também para o som do Chevrolet Hall, que “ajudou” a banda. Principalmente se levado em consideração o histórico que a casa tem com problemas de som durante os shows. A apresentação demonstrou que o Phoenix, e sobretudo o vocalista Thomas Mars, entende e busca trabalhar com o conceito de espetáculo, de entreter o público com um show bem ensaiado e pensado. Afinal, é isso que os fãs querem, mesmo sem saber. E lá estava Mars com seu jeito tímido e francês de ser com sorrisos aparentemente constrangidos que fizeram a alegria de garotas indies ao lado de seus namorados.

Voltando ao quesito espetáculo, a banda abriu o show com o hit “Lisztomania” (como eles fizeram em boa parte da turnê), o que até poderia ser perigoso por “queimar” uma música representativa para o grupo logo no início do show. Mas a continuação do setlist confirmou que o Phoenix estava no local certo e tocando para o público certo. Era possível ouvir os fãs acompanhando praticamente todas as canções que a banda executou. O fato de ser uma apresentação em que os franceses eram a atração principal contribuiu para isso, obviamente. Quem estava alí naquele momento queria ver a banda. Queria cantar com a banda. E isso fez toda a diferença para o show que teve como abertura as bandas mineiras Monno e Dead Lover’s Twisted Heart.

A apresentação contou com músicas de toda a discografia da banda. Bateram cartão “Long Distance Call”, “Consolation Prizes” e “Everything Is Everything”. Mas o recheio da noite foram as canções do álbum Wolfgang Amadeus Phoenix, como “Armistice”, “Lasso”, “Rome”, “Fences” e até a climática “Love Like A Sunset”. Após um mini-set acústico com apenas Thomas Mars nos vocais e Christian Mazzalai no violão e uma tentativa frustrada do vocalista em cantar literalmente em cima do público (os fãs mais afoitos arrebentaram o cabo do microfone), a banda emplacou “If I Ever Feel Better” e “1901” para fechar a noite.

O Phoenix finalizou sua apresentação para um Chevrolet Hall razoavelmente cheio, diante de fãs que conheciam suas músicas, com um som limpo e um sistema de iluminação de encher os olhos, casando perfeitamente com os ritmos e nuances de cada música. Tornando-se um show visual à parte e, ao mesmo tempo, que complementa a sonoridade da banda. Mas por enquanto o Phoenix ainda é uma banda ok que fez um show ok e bem ensaiado. Talvez falte arriscar um pouco mais.

Fotos: divulgação (Gualter Naves/Chevrolet Hall)

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One Comment

  1. […] a onda do texto sobre o show do Phoenix que fiz para a Revista Movin’ Up, publico aqui agora outro texto que escrevi para a Movin’. Desta vez sobre a apresentação […]

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