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Sessão da tarde: Maldito Popular Brasileiro

Antes do filme Loki (2008), de Paulo Henrique Fontenelle, trazer o sempre mutante Arnaldo Baptista para as telas de cinema e para as novas gerações em uma espécie de acerto de contas com o artista, no início dos anos 90 a diretora Patrícia Moran já demonstrava a mesma intenção com o documentário Maldito Popular Brasileiro, tendo como pano de fundo os anos de Regime Militar no Brasil.

O filme é construído naquele esquema clássico de documentários: entrevistados falando sobre o homenageado. Entre eles gente como Erasmo Carlos, Rogério Duprat, Sérgio Dias, Gilberto Gil, Ronnie Von e Luiz Calanca – além do próprio Arnaldo, claro.

O tremendão relembra a ousadia d’Os Mutantes em colocarem guitarras elétricas na imaculada MPB da década de 60, causando revolta nos puristas, segundo ele – e segundo conta a história. Ronnie Von tira vantagem de ter batizado a banda e o maestro Rogério Duprat é categórico ao afirmar que “Os Mutantes foram a coisa mais importante do Tropicalismo que ninguém conseguiu deixar claro” e ressalta que “a cabeça d’Os Mutantes era o Arnaldo Baptista”. Além disso, o maestro ainda defende que o músico é “responsável por quase tudo que aconteceu no Brasil de 67 pra frente”.

Entre as imagens históricas do documentário está a já conhecida – e ainda emocionante – apresentação de Gilberto Gil acompanhado pelos Mutantes cantando “Domingo no parque”, que ficou em segundo lugar no 3º Festival Internacional da Música Brasileira, em 1967. E lá estão os jovens músicos sorridentes e contentes sem imaginar que mudariam os rumos da música brasileira dalí em diante.

Entre tudo que é mostrado em Maldito Popular Brasileiro, são as falas de Arnaldo Baptista as mais interessantes. Principalmente quando ele relata o momento em que pulou da janela do Hospital do Servidor Público de São Paulo, em 1982. “Eu estava lá muito mal entendido… Então fui levado a abrir a janela e saltar. Eu me vi cercado de uma injustiça onde seria preferível a mim ou sucumbir ou sobreviver a ela livre disso. Então eu fiz e lembro-me totalmente da hora exata na qual eu lancei-me no espaço. Tenho toda a certeza que sobrevivi”. Ainda bem.

Melhor do que ficar aqui pelo texto é assistir o maldito popular brasileiro em ação (que finalmente chegou ao mundo virtual). Preste atenção na versão de “Balada do louco” com Arnaldo ao piano impondo ao mesmo tempo emoção e desleixo à canção.

O cara não é louco. É apenas “um ser que tenta se apegar às origens”, como ele ressalta.

Aperte o play.

Foto: divulgação.

Published in sessao da tarde

3 Comments

  1. Sonia Maia Sonia Maia

    Ola, seu post foi para o twitter de Arnaldo e na sua página comunitária no Facebook… Poderia, por favor, quando tiver um tempo, creditar a foto de abertura:

    foto: Fabiana Figueiredo/Divulgação

    Obrigada – assessoria Arnaldo Baptista
    xxxxxxxxxxx

  2. Sonia,
    a foto já está com crédito e link para o site do Arnaldo (abaixo do vídeo).

    abs,
    Lafaiete

  3. […] desses postei aqui no Veia o documentário Maldito Popular Brasileiro, sobre Arnaldo Baptista. Hoje coloco por aqui esse texto sobre “Loki – Arnaldo Baptista” […]

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