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Certa manhã acordei de um show instigante

Domingo. 10h da manhã. Uma latinha de cerveja barata ainda repousa ao lado do computador. Do outro lado, minha eterna garrafa de água mineral abastecida com água do filtro. Depois de dormir algumas horas e acordar ainda com imagens do pernambucano Otto na memória, em decorrência do show na noite de ontem, em Belo Horizonte, a impressão que fica é de que o músico não estava tão a vontade em cima do palco. Um sujeito aparentemente retraído, algumas vezes mostrando um “rebolado pensado” para agradar o público e outras vezes transformando o Lapa Multshow em um verdadeiro terreiro de umbanda, levando algumas pessoas a transcenderem o local levadas pela música. E outras pessoas levadas pela onda de “Street Cannabis Street”. Não a música, você entende.

As expectativas exageradas com a apresentação foram, principalmente, por causa do disco “Certa Manhã Acordei De Sonhos Intranquilos”, um dos melhores lançamentos de 2009 no Brasil. Otto não estava em seu melhor dia, talvez por causa de uma febre que ele até comentou durante o show. Talvez tenha faltado mais emoção ao interpretar/encarnar canções que são, em essência, retratos do ser humano com suas dores, perdas, angústias e até felicidade. Ou talvez fosse mais exagero da minha parte a grande expectativa em torno do show. Talvez por causa da identificação imediata com as canções mais existenciais de Otto. Percebeu que “talvez” é a palavra de ordem, né?

O jeito torto e desajeitado do músico em cima do palco e as danças peculiares se transformam em um atrativo à parte, mas que contribuem para o todo. Ao lado da música, da dança, de alguns comentários desconexos por parte do músico e do cheiro doce que pairava no ar, Otto demonstrou que é um sujeito que não tem medo de se expor. Não tem medo de ser ele. Não tem medo de cuspir suas fraquezas, suas dores. Otto é um ser humano que tem problemas e não tem vergonha de admitir isso. E ele também tem, possivelmente, a melhor banda de apoio que um artista possa querer. Nomes como Fernando Catatau e a tríade Bactéria, Boca e Pupillo falam por si só.

Talvez o ponto mais instigante da noite tenha sido o fato do show não pegar como muleta apenas o álbum “Certa Manhã Acordei De Sonhos Intranquilos”, disco que deu mais visibilidade ao cantor. Otto destilou músicas de toda sua discografia e o público acompanhou e cantou com a mesma empolgação. Independente se fosse uma canção que faz parte de novela global (“Crua”) ou do seu primeiro disco, Samba Pra Burro (como a música “O Celular de Naná”, por exemplo). Ainda estiveram lá “Janaína”, “Condom Black (Stop Play)”, “Saudade”, “Naquela Mesa”, “Ciranda de Maluco”, “Lavanda” e a dispensa comentários “Seis Minutos” para demonstrar que Otto tem uma história e que esta não é descartável como a maioria das “coisas” que aparecem por aí a cada virada no relógio.

Final de show, uma noite estupenda de fria em Belo Horizonte e cerveja barata para aquecer a madrugada que é, essencialmente, o melhor horário para aproveitar a cidade. Para o bem ou para o mal. Seja embalado por canções existenciais ou não. Seja perdido pelas ruas ou então apagado em cima da cama vivendo sonhos intranquilos.

Foto: divulgação

Published in show

One Comment

  1. […] show, Otto estava bem melhor do que quando se apresentou no Lapa Multshow no ano passado, em Belo Horizonte. E já na segunda música da noite, “Janaína”, o músico chama o público para se levantar das […]

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